Sexta-feira, 20 de março de 2026
Por Redação O Sul | 12 de março de 2026
Mesmo sem anúncios de mudanças de preços por parte da Petrobras, o preço do diesel teve aumento de 7,72%, em média, nos postos na primeira semana de março, ante a semana anterior, de acordo com o Índice de Preços Edenred Ticket Log.
Ainda que a estatal não tenha ajustado os combustíveis, refinarias privadas e distribuidoras têm a liberdade de aplicar os preços seguindo parâmetros internacionais.
Com base em abastecimentos realizados em 21 mil postos de combustíveis, o preço médio do diesel S-10 (de baixo teor de enxofre) subiu de R$ 6,22 na última semana de fevereiro, antes do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã no dia 28, para R$ 6,70 por litro, alta de 7,72%.
O diesel S-500 teve aumento médio de 6,10% no período, passando de R$ 6,23 por litro para R$ 6,61 por litro.
A gasolina, segundo o indicador, teve variação menor, de 1,24%, passando de R$ 6,44 para R$ 6,52 por litro.
De acordo com Vinicios Fernandes, diretor de frete na Edenred Mobilidade, o diesel costuma ser o combustível que reage primeiro a movimentos mais bruscos no mercado internacional de petróleo por ter forte relação com a dinâmica do transporte de cargas no país.
O Brasil não é autossuficiente na produção de diesel e importa entre 20% e 30% desse combustível consumido internamente, o que torna o mercado mais sensível a oscilações internacionais, principalmente em momentos de tensão geopolítica que afetam rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz.
“Nos últimos dias, alguns postos já têm relatado dificuldade de reposição em determinados tanques ou bombas, o que pode indicar um cenário de oferta mais apertada caso as restrições logísticas provocadas pelo conflito se prolonguem”, disse Fernandes. “Ainda é cedo para afirmar que haverá falta de combustível e é importante ter cautela nesse momento”, afirmou.
Conforme o levantamento da Edenred, regionalmente as maiores altas do diesel foram registradas no Nordeste, onde o diesel comum subiu 13,17% e o diesel S-10 avançou 8,79% no período. A região também registrou a maior média do país para o diesel comum, chegando a R$ 7,22 por litro.
Com alcance relevante no mercado da Bahia, a Refinaria de Mataripe, da Acelen, do fundo Mubadala, aumentou os preços no dia 5 de março. O diesel S10 aumentou de R$ 3,56 para R$ 4,18, um reajuste de 17,4%. O diesel S500 subiu de R$ 3,46 para R$ 4,08, alta de 17,9%. A gasolina foi de R$ 2,53 para R$ 2,83, aumento de 11,8%.
“A Refinaria de Mataripe esclarece que os contratos firmados com seus clientes estabelecem, de forma clara e com total transparência, a possibilidade de ajustes escalonados e graduais seguindo parâmetros previamente definidos e em cenários como o vivido atualmente”, disse a companhia em nota, que completa: “Vale reforçar que os preços dos produtos produzidos na Refinaria de Mataripe seguem critérios de mercado, que levam em consideração variáveis como custo do petróleo, dólar e frete, podendo variar para cima ou para baixo, e são informados previamente aos clientes.”
O Centro-Oeste também apresentou variações relevantes, segundo os cálculos da Edenred, com alta de 7,45% no diesel e 7,11% no S-10, movimento que ocorre em uma região estratégica para o escoamento da produção agrícola do País.
Nas demais regiões, os aumentos para o tipo comum do diesel foram mais moderados, embora também relevantes, com avanço de 5,13% no Sul, 3,55% no Norte e 3,40% no Sudeste. No caso do diesel S-10, a maior média foi registrada no Norte, com R$ 7,00 por litro. Entre as gasolinas, o Norte também liderou em preço, com média de R$ 6,93, enquanto a maior alta foi observada no Nordeste, de 3,21%.
Por que a Petrobras não aumentou os preços? Maior produtora de combustíveis do país, a Petrobras não altera o preço do diesel há mais de 300 dias, desde maio de 2025, quando aplicou uma redução de 4,66%. A estatal, porém, modificou o preço da gasolina pela última vez em 27 de janeiro de 2026, quando reduziu em 5,2%. A última vez que a Petrobras elevou o preço do diesel foi no início de fevereiro de 2025, quando reajustou os preços em 6,29% em média. A gasolina teve a última alta em julho de 2024, de 1,72%.
A diretoria da Petrobras disse, na última sexta-feira (6), que está confortável com os preços atuais dos combustíveis e que aguarda uma estabilidade do mercado antes de realizar mudanças. O diretor de comercialização e logística da Petrobras, Claudio Schlosser, disse na ocasião: “Já vimos que não funciona fazermos ajustes diários, como havia no passado”. A atual política de preços da estatal, em vigor passou a considerar parâmetros nacionais para o cálculo, além da cotação do barril de petróleo do tipo Brent e do dólar.
Vai faltar combustível? Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), responsável por regular o mercado, até o momento não há restrições à manutenção das atividades ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do país.
“A ANP mantém o monitoramento contínuo do mercado regulado, inclusive com acompanhamento diário dos estoques”, disse a agência. “A ANP está mantendo conversas próximas com os agentes para entender as queixas. A Agência está acompanhando de perto, analisando e atuando para que não falte produto.” As informações são do jornal Valor Econômico.
Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!