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Brasil Porteiro que citou Bolsonaro em caso Marielle mora em área de milícia no Rio de Janeiro

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Marielle foi morta em março do ano passado. (Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio)

O porteiro do condomínio Vivendas da Barra que citou o nome do presidente Jair Bolsonaro no inquérito sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes mora numa área controlada por milícia. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Alberto Jorge Ferreira Mateus mora na Gardênia Azul, zona oeste do Rio de Janeiro. A Polícia Civil esteve no local no início da tarde desta sexta-feira (8) para intimá-lo a depor.

Familiares afirmaram que ele não estava no momento. Relataram também aos agentes que o funcionário estava assustado após a divulgação de sua identidade. O nome do porteiro e o local onde ele mora foram revelados pela revista Veja.

Em nota, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro informou nesta sexta que assumiu a assistência jurídica do porteiro. “Neste momento, não vamos nos manifestar sobre o caso”, informou, na mesma nota.

Foi Beto, como é conhecido no bairro, quem atribuiu a “seu Jair” da casa 58, de Bolsonaro, a autorização para a entrada do ex-policial militar Élcio de Queiroz, acusado de dirigir o carro usado do assassinato de Marielle e Anderson.

Na planilha manuscrita de controle de entrada consta a unidade 58 como quem autorizou a entrada —a coluna para o nome da pessoa, contudo, está em branco.

Élcio, contudo, teve como destino a casa de um vizinho do presidente, o policial militar aposentado Ronnie Lessa, acusado de ter disparado os tiros contra as vítimas.

Em dois depoimentos à Polícia Civil, Alberto disse que foi “seu Jair” quem autorizou a entrada de Élcio. Declarou também que, ao notar que o ex-PM se dirigira à casa de Lessa, a 65/66, voltou a ligar para a unidade 58. Recebeu como resposta do mesmo interlocutor de que sabia para onde o visitante estava ainda.

A citação ao nome do presidente levou Ministério Público do Rio de Janeiro a consultar o STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a possibilidade de seguir com a investigação no Rio de Janeiro, em razão do foro especial. A Procuradoria-Geral da República afirmou que não havia indícios de envolvimento de Bolsonaro em razão dos fatos que contradiziam o depoimento.

Bolsonaro, deputado federal à época, estava na Câmara no dia do crime. Além disso uma gravação do interfone da portaria aponta que foi Lessa quem autorizou a entrada do ex-PM, afirma perícia do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Essa análise foi usada pela Promotoria para contradizer o depoimento de um porteiro que apontou “seu Jair” da casa 58, de Bolsonaro, como o responsável por liberar a entrada do acusado.

A perícia do Ministério Público, contudo, não avaliou a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado ou renomeado antes de ser entregue às autoridades. Ela tinha como único objetivo instruir a ação penal contra os acusados de matar Marielle e Anderson, provando o encontro dos dois réus.

Essa mídia com a gravação foi entregue à Polícia Civil no último dia 7 de outubro pelo síndico do condomínio. Nela constavam arquivos referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2018.

A entrega ocorreu dois dias depois de policiais terem feito busca e apreensão na portaria do Vivendas da Barra em busca da planilha de controle de entrada de visitantes.

No mesmo dia 7, o porteiro foi ouvido —ele foi reinterrogado dois dias depois, reafirmando o relato inicial, envolvendo Bolsonaro.

O único objetivo da análise nos arquivos entregues pelo síndico foi confirmar se é de Ronnie Lessa a voz que autoriza a entrada do ex-policial militar Élcio de Queiroz.

Os peritos usaram como base de comparação o interrogatório do PM aposentado dado à Justiça no caso Marielle no dia 4 de outubro.

Os questionamentos das promotoras aos peritos não incluem perguntas sobre a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado ou renomeado.

O nome do arquivo é que indica qual casa recebeu a ligação da portaria —o arquivo que apresenta o anúncio de Élcio a Lessa tem o trecho B65, indicando ter como destino a casa 65.

O documento também indica que os técnicos não tiveram acesso ao computador de onde os dados foram retirados.

O presidente da Associação Brasileira de Criminalística, Leandro Cerqueira, afirmou que, sem acesso à máquina em que os arquivos foram gravados, não é possível identificar se um arquivo foi apagado ou renomeado.

O computador da administração do condomínio, com o sistema de gravação, só foi apreendido na quinta-feira (7).

Peritos vão analisar se houve alguma alteração no sistema de gravação de chamadas entre a portaria e as casas do local. O objetivo é esclarecer todo o contexto sobre a autorização de entrada do ex-policial militar Élcio de Queiroz, também acusado no crime, no condomínio horas antes do homicídio.

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