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Brasil Postagens nas redes sociais fazem apologia a estupro de cadáver de jovem morta em rope jump em São Paulo

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O processo não deve ser concluído em função do calendário da Câmara, que esbarra com o período eleitoral. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

A jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, se tornou alvo de uma série de comentários ofensivos, de cunho sexual – com referências à necrofilia – após a repercussão do caso e a divulgação de fotos dela nas redes sociais.

Comentários como “vou fazer concurso para o IML de Limeira” e “festa no IML” se multiplicaram em postagens com fotos de Maria Eduarda.

O caso gerou reação de parlamentares, que pediram investigações à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF). Em representação enviada à PF, a deputada federal Erika Hilton (PSOL) diz que as as condutas “transcendem o mero comentário ofensivo para assumir caráter de incentivo, exaltação, naturalização e difusão de violência sexual”.

“Ao difundir publicamente mensagens dessa natureza, os responsáveis pelos perfis contribuem para a legitimação simbólica de práticas criminosas e para a banalização da violência sexual”, diz a representação da parlamentar.

O pedido de Erika foi enviado à Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal para a instauração de investigação criminal contra usuários da rede social X (antigo Twitter).

A Polícia Federal ainda não se manifestou. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) disse que o caso foi enviado para o MPF em São Paulo.

No ofício, a deputada argumenta ainda que as publicações contribuem para “a banalização da violência sexual e para a disseminação de discursos misóginos nas redes sociais”.

Erika pede a instauração de procedimento investigatório para apurar eventual prática dos crimes previstos nos artigos 212 e 287 do Código Penal, além da identificação dos responsáveis pelos perfis.

O mesmo foi feito pela deputada Tabata Amaral. Em seu perfil no X, ela disse que entrou com uma ação no MPF para apurar crimes de ódio cibernéticos no caso.

“Nem mesmo no leito de morte, nós, mulheres, temos paz. A jovem Maria Eduarda Rodrigues, morta após ser lançada sem corda em um salto de rope jump, está sendo vítima de uma série de comentários misóginos, com alusões a estupro e necrofilia, na internet.”

“Em vez de verem uma mulher que perdeu a vida tragicamente, criminosos reduziram a imagem de Maria Eduarda a um objeto de deboche e crueldade. É nojento. E é a prova de que eles não perdem a oportunidade de proliferar, com a anuência das redes, discursos de violência contra as mulheres. É por isso que precisamos, de uma vez por todas, criminalizar o ódio às mulheres, como estamos propondo no PL da Misoginia. Não podemos permitir que esses covardes sigam impunes.” (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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