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Brasil Pré-candidatos à presidência da República “antecipam” o horário eleitoral na internet

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A maioria dos presidenciáveis tem apelado para filmes bem produzidos que ainda viram posts patrocinados para ampliar o alcance ou atingir públicos específicos. (Foto: Reprodução da internet)

O horário eleitoral só começa no dia 31 de agosto, mas na internet pré-candidatos se antecipam a esse prazo e veiculam em suas redes sociais programas políticos no estilo usado para pedir votos na TV e no rádio. Em busca da confirmação de suas candidaturas, em meio à pulverização de postulantes ao Planalto, a maioria dos presidenciáveis tem apelado para filmes bem produzidos que ainda viram posts patrocinados para ampliar o alcance ou atingir públicos específicos.

Pagar anúncios em redes sociais é mais uma novidade desta eleição. A ferramenta está liberada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) desde que registrada somente por candidatos, partidos ou coligações – medida que visa a combater fake news por meio de páginas anônimas ou perfis falsos. Faltam regras, no entanto, quando o assunto é prestação de contas. Como se trata de um investimento de pré-campanha, os custos não precisam ser obrigatoriamente revelados.

Se antes a fórmula usada em posts com ou sem patrocínio era mostrar falas dos pré-candidatos em entrevistas ou palestras, captadas sem uma prévia produção, agora a regra é divulgar filmes com roteiro, ilustrações, legendas, locução e até jingles. Flávio Rocha (PRB), por exemplo, convocou a dupla sertaneja Mateus & Cristiano para gravar seu slogan: “Com Flávio Rocha tudo vai ser novo, é a esperança, a vontade do povo”.

Adepto do discurso que prioriza a gestão e não a política, Rocha abusa de temas como o empreendedorismo e nacionalismo em seus vídeos. Em linguagem popular e com narrativa dinâmica, as produções são repletas de ilustrações que retratam as principais bandeiras do pré-candidato, como o combate aos privilégios e ao alto custo do Estado.

O PT, que tem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e preso pela Lava-Jato – como pré-candidato à Presidência, também já encomendou um jingle para impulsionar a campanha nas redes sociais. Com qualidade de TV, o filme expõe o caos gerado no País pela crise financeira para vender o nome de Lula como a salvação – para o “Brasil ser feliz de novo.” Nenhuma citação às acusações que envolvem o nome do petista ou à origem da crise econômica.

Mesmo sem jingle, os vídeos de Henrique Meirelles (MDB) são os que mais impressionam pelos detalhes, duração e qualidade de cenário e de fotografia. Produzidos como se fossem para TV, os filmes apresentam o ex-ministro da Fazenda do governo de Michel Temer como um homem de sucesso, otimista e que resolve os problemas do País.

“Ano de 2015, pior crise econômica da nossa história. Parecia que o pessimismo dessa vez tinha chegado para ficar. Mas, aí parceiro, adivinha quem chamaram de novo para tirar o País da lama? É, o Meirelles”, diz um dos filmes, de três minutos, que mostra o presidenciável sorrindo, brincando com os cachorros (que diz adorar) e cumprimentando jovens.

Segundo Meirelles, o zelo na produção dos filmes é reflexo do rigor com que faz seu trabalho. “Isso vale também para essa estratégia de divulgação. Nesse momento da pré-campanha, preciso de peças que façam meu nome se tornar mais conhecido. Pesquisas mostram que quem me conhece tende a votar em mim”, disse o ex-ministro ao Estado. Os vídeos passaram a ser veiculados no momento em que o Brasil enfrenta uma crise persistente, com 13 milhões de desempregados e déficit público estimado em R$ 159 bilhões.

Café

No fim do mês passado, Geraldo Alckmin (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) lançaram quadros fixos na internet. Ambos estrearam, respectivamente, os programas “Café com Alckmin” e “Café com Boulos” para interagir com eventuais eleitores. Mas apesar do nome parecido, o formato escolhido pelas equipes dos pré-candidatos é quase oposto.

Enquanto Boulos debate um tema específico ao vivo com internautas, sempre em tom crítico ao governo Temer, o tucano grava conversas amenas em estilo de comercial de TV de dentro de uma padaria – a primeira que serviu de cenário foi a que Alckmin frequenta aos domingos em São Paulo.

 

Estrutura

Apesar de contar com uma estrutura mais simples, Ciro Gomes (PDT) não fica atrás. Relata toda a sua trajetória na vida pública – prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, ministro da Integração Nacional no governo Lula -, no filme “Que Ciro é esse?”, feito exclusivamente para a pré-campanha. Para colocar de forma mais clara suas ideias, lançou no mês passado o quadro “Pergunte ao Ciro”, no qual o presidenciável expõe suas posições sobre temas variados, como economia.

Na semana passada, a equipe de Bolsonaro postou um vídeo mais elaborado, em preto e branco, com quatro minutos de duração, em que apresenta o deputado de forma sóbria e com um novo slogan: “Bolsonaro, o Brasil a 150 dias de um novo amanhã”. Imagens ilustram o dia a dia do parlamentar em seu gabinete e a tietagem de eleitores que o recebem em aeroportos pelo País.

 

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