Sábado, 21 de março de 2026
Por Redação O Sul | 20 de março de 2026
Após a disparada de quinta-feira (19), que levou o preço do petróleo à máxima semanal de US$ 119,13, a commodity chegou a subir com intensidade na tarde dessa sexta-feira (20), quando atingiu a máxima diária de US$ 113,10, por volta das 15h30min. Na reta final da sessão, o preço recuou e o barril Brent, referência mundial, fechou o dia cotado a US$ 108,20.
Com o fechamento desta sexta, o petróleo completa duas semanas consecutivas com o barril Brent acima de US$ 100.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos Estados Unidos, chegou a bater em US$ 98,75 durante a tarde, mas recuou e fechou o dia negociado a US$ 94,74. Ao contrário do Brent, o WTI encerrou a semana com queda. O desconto do WTI em relação ao Brent atingiu seu maior valor em 11 anos na quarta-feira (18).
A disparada do petróleo na quinta (19) ocorreu após ataques de Israel ao campo de gás de Pars Sul, responsável por 70% da produção de GNL (gás natural liquefeito) no Irã, seguido do revide iraniano com bombardeios à refinaria de Ras Laffan, no Qatar, que fornece 20% da produção mundial de GNL.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que exigiu que o governo israelense não voltasse a atacar Pars Sul, mas ameaçou que contra-atacaria eventuais ataques do Irã às instalações do Qatar. Após a declaração, os preços diminuíram e a situação prosseguiu nessa sexta, já que não houve novos registros de ataques aos campos de gás.
Apesar da promessa, Trump reforçou as tropas para uma eventual invasão terrestre no Irã ao enviar um segundo grupo expedicionário de fuzileiros navais para o Oriente Médio. A flotilha com três navios de guerra carregando 4.000 marinheiros, 2.500 deles fuzileiros para ações em terra, deixou o porto de San Diego (Califórnia) na quinta-feira com destino ao golfo Pérsico.
“Mesmo se os EUA saírem (do conflito), Israel não deixará e pode continuar os ataques que serão revidados pelo Irã, mas talvez em menor volume. Mesmo assim, o golfo Pérsico continuará sob pressão, então os preços do petróleo não voltarão a US$ 60, mas talvez permaneçam em US$ 90 ao menos até o fim do ano”, afirmou a economista Alicia Garcia-Herrero, chefe da Ásia-Pacífico na Natixis.
Nesta sexta, uma refinaria no Kuwait foi danificada após ser atingida por mísseis supostamente vindos do Irã, e cerca de 16 navios de carga do regime iraniano foram destruídos por bombardeios de Israel. Mas os ataques não levaram a uma nova disparada.
“Este é o pior cenário possível, não só temos força maior no Iraque, mas também um número significativo de tropas sendo reunidas pelos EUA no Golfo Pérsico, as esperanças de uma resolução rápida e o retorno do fornecimento ao mercado global através do estreito de Hormuz estão desaparecendo diante de nossos olhos”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.
As Bolsas apresentam também uma variação nessa sexta. Na Europa, os principais índices abriram o dia em alta, mas fecharam em forte queda. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, despencou 2,14% em tendência que foi seguida em Frankfurt (-1,94%), Londres (-1,44%), Paris (-1,82%), Madri (-1,14%) e Milão (-1,97%).
As Bolsas dos EUA também caíram com força, com baixas nos índices Dow Jones (-0,97%), Nasdaq (-2,01%) e S&P 500 (-1,51%).
Na Ásia, a maioria das Bolsas fecharam em queda. A exceção foi Seul, que subiu 0,31%. O índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,35%, e o SSEC, em Xangai, perdeu 1,24%. As Bolsas de Taiwan (-0,43%), Singapura (-0,38%) e Hong Kong (-0,88%) também desvalorizaram, enquanto Tóquio não teve operações em virtude de feriado. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e da agência de notícias Reuters.
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