Sábado, 05 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 25 de março de 2024
Lula e auxiliares têm discutido as últimas pesquisas de avaliação, cujos resultados têm incomodado o presidente
Foto: Agência BrasilCom a piora da avaliação do governo em diferentes pesquisas de opinião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros apostam em uma série de ações para recuperar popularidade ao longo do ano.
Lula e auxiliares têm discutido as últimas pesquisas de avaliação, cujos resultados têm incomodado o presidente, que reconheceu que o governo está aquém da expectativa gerada na campanha eleitoral de 2022.
A pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (21), que seguiu a tendência das pesquisas Quaest e Ipec, registrou empate técnico entre aprovação (35%) e reprovação (33%) do governo.
Em relação ao Datafolha de dezembro de 2023, a avaliação positiva do governo oscilou três pontos percentuais para baixo. Já a reprovação oscilou três pontos positivamente. O percentual dos que consideram o governo regular se manteve estável (30%).
Algumas das principais frentes do governo são:
– Reforço da comunicação digital do governo;
– Execução dos programas anunciados
– Redução do preço dos alimentos
– Aproximação com setores do agronegócio
– Administração da relação com evangélicos
O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta afirmou a jornalistas que o governo não prepara gestos específicos para determinados públicos a fim de recuperar a aprovação.
“Nós entendemos que a política pública para todos e muda a percepção das pessoas como um todo”, afirmou.
Pimenta acredita em uma melhora geral na avaliação do governo nos próximos meses conforme os programas já anunciados sejam executados. Uma das principais apostas é o “Pé-de-meia”, que irá fornecer incentivo financeiro para estudantes do ensino médio.
Pelo programa, o governo pagará até R$ 9,2 mil aos estudantes que concluírem os estudos. A expectativa é a de que o programa atenda cerca de 2,5 milhões de alunos.
O Planalto também conta com o impulso na economia e na geração de empregos com as obras do Novo PAC, o programa de infraestrutura do governo federal, que prevê investimentos de R$ 1,6 trilhão nos próximos anos em rodovias, ferrovias, apartamentos, creches, escolas, unidades de saúde e outros.
O governo mapeou que parte da insatisfação registrada nas pesquisas se deve a alta do preço dos alimentos. Alimentação e bebida foi um dos grupos cujos preços subiram em fevereiro, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A alimentação no domicílio teve alta forte (1,12%), por influência das temperaturas mais elevadas neste início de ano e um maior volume de chuvas que prejudica a safra de produtos, segundo o IBGE. Subiram os preços da cebola (7,37%), da batata-inglesa (6,79%), das frutas (3,74%), do arroz (3,69%).
Os ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Carlos Fávaro (Agricultura) atribuíram o problema a questões climáticas que atrapalharam a produção, em especial de arroz, e preparam ações para a próxima safra (2024-2025).
Após reunião com Lula, os ministros projetaram que, com o avanço da colheita de arroz, os preços tendem a reduzir já no mês de abril. O governo também terá medidas para incentivar o cultivo de arroz, feijão, trigo, milho e mandioca em diferentes regiões do País.
Em relação aos evangélicos, Lula não pretende no momento fazer um aceno específico. Esse segmento da população é o que o presidente tem rejeição mais alta e que a posição conservadora nos costumes diverge de pautas dos partidos de esquerda.
Lula disse durante a reunião ministerial da última segunda-feira (18) que é cobrado para falar com pastores e lideranças evangélicas, algo que já fez no passado. Mas, para ele, o problema não é esse, já o governo precisa combater as fake news que impactam esse segmento da população.
A aproximação com esse grupo se dá no Congresso Nacional. Recentemente, houve uma reunião do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, com a bancada evangélica na Câmara. Após o encontro, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que os evangélicos querem ser ouvidos pelo governo na construção de políticas. Guimarães defendeu que o pedido da bancada é cabível.