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Mundo Prêmio Nobel da Paz: ex-alta-comissária da ONU é reconhecida por atuação para punir crimes de guerra e genocídio

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Nobel da Paz 2026 é concedido à jurista Navi Pillay. (Foto: Reprodução)

O Comitê Norueguês do Nobel concedeu o Prêmio Nobel da Paz à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, em reconhecimento a seus esforços para promover a paz e o Direito Internacional.

O anúncio em Oslo destacou a atuação de Pillay na construção de uma “ordem jurídica global mais abrangente”, apontando que o sistema internacional regido por normas está sob enorme pressão, e que há uma mudança em direção a uma “política de poder”, em uma mensagem que analistas apontaram como tendo destinatário a agenda política pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujos ataques a instituições e princípios internacionais têm se aprofundado desde seu retorno à Casa Branca. Washington anunciou sanções contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) pouco depois da concessão do prêmio à jurista.

“A laureada deste ano foi fundamental para garantir que os crimes de guerra, os crimes contra a Humanidade e o genocídio sejam levados à Justiça”, declarou o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jorgen Watne Frydnes, ao anunciar o nome da vencedora, seguindo a linha do comunicado emitido pela instituição, que destacou o papel de Pillay para ampliar “o alcance e o impacto do Direito Internacional”.

“Ao conceder o Prêmio Nobel da Paz deste ano, o Comitê Norueguês do Nobel deseja lembrar ao mundo que o Estado de Direito, tanto nacional quanto internacional, é a base do sistema que estabelecemos para garantir a paz e resolver conflitos de forma não violenta”, disse o texto oficial divulgado pelo comitê. “A paz exige justiça.”

Pillay nasceu em Durban, na África do Sul, em 1941, durante o regime de segregação racial do apartheid. Descendente de uma família de origem tâmil indiana, cresceu em um bairro humilde e conviveu com a discriminação estrutural, segregação e exclusão decorrentes da política de Estado. Ainda assim, formou-se em Direito pela pela Universidade KwaZulu-Natal, e posteriormente cursou mestrado e doutorado em Harvard.

Primeira mulher não branca a abrir um escritório de advocacia em Durban, a jurista se notabilizou por conseguir que os presos políticos na penitenciária de Robben Island, onde Nelson Mandela ficou preso, obtivessem acesso a advogados, em 1973. Em 1995, um ano após a eleição de Mandela nas primeiras eleições democráticas sul-africanas, ela foi indicada como ministra da Suprema Corte, também se tornando a primeira mulher não branca a alcançar o posto.

A carreira marcada pela defesa de princípios jurídicos universais e da dignidade humana alcançou uma atuação internacional um ano depois, quando foi indicada por Mandela para integrar o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, que julgou os responsáveis pelo genocídio de 1994 no país africano.

Em 1998, ela fez parte do grupo de juízes que estabeleceu pela primeira vez que estupro podia ser considerado um ato constitutivo de genocídio. Desde então, a jurista tem ocupado posições junta às Nações Unidas, chegando ao posto de alta comissária para os Direitos Humanos, em 2014, e na Corte Internacional de Justiça (CIJ).

Surpresa e dedicatória

O presidente do Comitê Norueguês do Nobel afirmou que a vencedora não atendeu à ligação oficial prévia ao anúncio, para comunicá-la da comenda. Ela participava de uma conferência de advogados e juízes de direitos humanos no Palácio da Justiça de Nuremberg, na Alemanha, onde líderes nazistas foram julgados ao fim da Segunda Guerra Mundial. O ex-embaixador dos EUA para questões de crimes de guerra Stephen Rapp disse ao New York Times que “gritou a notícia em uma sala com cerca de 120 pessoas e todos irromperam em aplausos”.

Em uma primeira aparição informal, Pillay falou a membros do público de improviso, e alfinetou Trump e a líder opositora venezuelana María Corina Machado afirmando que poderia dividir o prêmio com o republicano, a vencedora do Nobel da Paz de 2025 entregou sua medalha do Nobel ao presidente dos EUA durante um encontro do qual saiu sem conseguir o apoio para uma transição política que a levasse ao poder em Caracas.

“Muito obrigado! Se vocês aplaudirem um pouco mais, eu vou dividir esse prêmio com Trump”, disse PillaD, arrancando risos e se divertindo com os presentes. “Então, não sei nada a respeito. Por isso, minha pergunta é: é verdade?”

Em um segundo momento, em uma entrevista coletiva mais bem estruturada à margem do evento, a jurista dedicou o prêmio às “vítimas de crimes internacionais” e aos trabalhadores e defensores dos direitos humanos, antes de fazer um apelo aos líderes mundiais pelo respeito ao Direito Internacional. Ela não mencionou diretamente o presidente americano, mas criticou políticas que estão sendo levadas a cabo pela Casa Branca. (Com informações do jornal O Globo)

tags: Mundo

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