Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de fevereiro de 2026
A presença de drones em espaço aéreo proibido é um risco relevante para a aviação. Especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo apontam que o problema não é novo e tampouco deve ficar isolado ao caso de domingo, quando o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, foi fechado por causa da presença desses equipamentos.
Cumbica precisou fechar por duas vezes. A interrupção de voos comerciais e privados ocorreu por volta das 16h, e as operações só foram retomadas duas horas depois. O número de voos prejudicados não foi informado. “Eu acho que sim (pode ser mais comum), principalmente pelo que estamos vendo do futuro, com drones de transporte de passageiros”, afirma Roberto Peterka, especialista em segurança de voo.
O número de pedidos para voos com drones no Brasil cresceu 22% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Em junho, o aeroporto de Guarulhos já havia enfrentado o mesmo problema. Foi fechado para pousos e decolagens por causa da presença de drones, prejudicando dezenas de voos. No caso mais recente, a Polícia Militar foi acionada pela Central de Controle do Aeroporto Internacional de São Paulo para averiguar a presença de ao menos oito drones que estariam sobrevoando a rota de decolagem e aterrissagem de aeronaves. O Comando de Operações Especiais (COE) utilizou um bloqueador de sinal para restabelecer a segurança do local.
“Os drones são proibidos de voar nas proximidades de aeroportos. Quando há um caso desse tipo, há uma paralisação do terminal, e a PM é imediatamente acionada. Os helicópteros da Polícia Militar começam a sobrevoar (a área) e têm tecnologia para detectar de onde vem o sinal emissor do controle do drone”, afirma Laert Gouvea, diretor do Instituto Brasileiro de Segurança na Aviação. “E com isso eles fazem a rastreabilidade desse sinal e acabam chegando ao cidadão que está cometendo a infração.”
O grande risco do drone em espaço aéreo é provocar um dano estrutural severo na aeronave. O alumínio de um avião não é forte, pois precisa ser leve, explica Peterka. “Pode atingir uma parte vital do avião, como cabos de comando, fiação elétrica”, afirma. “Se entra numa turbina de um avião, por exemplo, é um prejuízo de alguns milhões de dólares. Não podemos conviver com uma situação como essa. Quando um drone invade o espaço aéreo do aeroporto, a operação tem de ser suspensa para evitar um acidente grave”, acrescenta Gouvea.
O especialista também destaca que o Brasil tem uma das legislações mais avançadas em relação a esse tema e “não fica devendo nada a nenhum outro país”. Apesar dos casos recentes em São Paulo, ele considera a questão contornável. “Não é algo que vejo com tendência de aumentar. Não é uma coisa tão relevante assim que a gente precise se preocupar. São casos isolados.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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