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Notícias Presidenciável do PDT acusa petistas de tentar isolá-lo por ser alternativa de esquerda

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Depois de perder o apoio do PSB por pressão do PT e ficar isolado, o pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, afirmou que o Brasil não aguenta “outro poste” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em referência à ex-presidente Dilma Rousseff.

“O que está em jogo na burocracia do PT é uma grande enganação. Eles querem criar uma comoção no país para, no dia em que o Lula for declarado inelegível, eles apontam um outro poste. A grande questão é: o Brasil aguenta outro poste? Ou parte grave da situação que nós estamos vivendo hoje devemos à escolha de um poste pelo Lula?”, ponderou Ciro, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo após a convenção do PDT do Rio, na sexta-feira.

Para o presidenciável do PDT, os petistas trabalharam para esvaziar sua pré-candidatura por considerá-lo a “grande ameaça de afirmar uma alternativa de renovação no campo progressista brasileiro”. Apesar de Lula insistir em sua pré-candidatura, ele provavelmente será barrado por atender os requisitos da Lei da Ficha Limpa. O ex-presidente foi condenado em segunda instância no processo do tríplex do Guarujá. A estratégia do PT é esticar a corda e indicar um substituto o mais tarde possível.

“Estou sendo eleito pelo PT [como adversário] por uma avaliação miúda”, disse Ciro

A convenção do PDT oficializou a pré-candidatura do deputado estadual Pedro Fernandes ao governo do Rio. A decisão do PSB de ficar neutro na eleição presidencial foi um dos principais assuntos do evento partidário. Os socialistas eram a aposta de Ciro depois que o “blocão” fechou acordo com Geraldo Alckmin (PSDB).

“Nossos primos do PT, se puderem, nos matam em vida”, disse o presidente do PDT, Carlos Lupi.

“É um boçal”

Em seu discurso, ao citar o acordo entre PT e PSB, Ciro afirmou que há uma tentativa de isolar não só ele, mas também os pré-candidatos Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL), por serem “fora do sistemão”. Apesar da deferência inicial a Bolsonaro, Ciro o chamou de “boçal”:

“Nada mais é do que está acontecendo comigo, com Marina e, sob certo aspecto, com Bolsonaro. O problema é que Bolsonaro, digamos assim, com todo carinho, é um boçal. Ele é fora do sistemão, Marina é fora do sistemão e eu sou o que é fora do sistemão e conhece o sistemão, o que sabe que esse país é saqueado e sabe como suspender e acabar com esse saque.”

Na entrevista após a convenção, Ciro disse que desconsidera, por ser “difusa” e “mal-arrumada” a acusação de que seu partido teria recebido R$4 milhões da Odebrecht para apoiar a reeleição de Dilma, em 2014.

“Nem um pingo [desconfortável]. No meu governo vai ser assim: denúncias difusas e mal arrumadas a gente desconsidera pura e simplesmente, como essa. Não há nenhum inquérito envolvendo nenhum companheiro do PDT. Parece que há uma investigação sobre uma delação premiada em que nenhum companheiro do PDT está como objeto, a não ser citado lateralmente”, disse o pedetista.

No evento partidário, o presidenciável dividiu a mesa com o tesoureiro do PDT, Marcelo Panella, que ele tinha dado como morto em sabatina na Globonews, ao ser questionado sobre essa acusação. Ao chegar à convenção, Ciro deu um tapinha nas costas de Panella.

O tesoureiro foi citado em depoimentos de ex-dirigentes da Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a suposta compra de apoio à reeleição de Dilma, às custas de dinheiro doado por caixa dois da empreiteira. No depoimento ao TSE, no ano passado, Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, disse que ficou responsável pela doação à legenda porque tinha relação pessoal com Panella. Segundo ele, o pagamento de R$ 4 milhões foi feito em quatro parcelas de R$ 1 milhão: duas em agosto e outras duas em setembro de 2014.

“Matou o Panella, mas ele ressuscitou depois do primeiro intervalo (da sabatina). Panella vive”, brincou o deputado estadual Luiz Martins, ao discursar na convenção.

Na sabatina da Globonews, na última quarta-feira, ao ser questionado sobre acusações de corrupção contra o PDT, Ciro defendeu o presidente do partido, Carlos Lupi, e disse que Panella estava morto:

“O Lupi não é processado por nada, é um homem honrado. Esse cidadão (Panella) me consta que já morreu. Não tem nada a ver com Carlos Lupi. Esse Ornellas. Qual o nome? Panella morreu já.”

Ao voltar do primeiro intervalo da sabatina, Ciro se corrigiu:

“Posso corrigir uma gafe aqui? O Panella está vivo. Quem morreu foi o Loreto (sic). Minha assessoria me esclareceu aqui. Perdão pela gafe, especialmente à família do que não morreu.”

O pré-candidato do PDT confundiu Panella com o ex-secretário de Finanças do PDT, Francisco Soares Loureiro, que morreu em março.

 

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