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| Presidente da Câmara dos Deputados agradece ataque do PT e prevê interrupção da coligação com o PMDB

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Previsão de Cunha é de que o PMDB não repita aliança com o PT. (Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara)

Alvejado no encerramento do 5º Congresso do PT com gritos de “Fora Cunha”, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), festejou o fato na internet: “Quero agradecer as manifestações de hostilidade no Congresso do PT. Isso é sinal de que estou no caminho certo”. Em tom de alívio, acrescentou: “Ficaria preocupado é se fosse aplaudido lá”. E prognosticou: “O PMDB não repetirá a aliança com o PT”.

O deputado indicou aos seus seguidores no Twitter um link conduzindo para a entrevista que concedeu aos repórteres Daniel Carvalho e Erich Decat, do jornal Estado de S. Paulo. Nessa conversa, Cunha declarou que “está esgotado” o modelo de coalizão que tem o PMDB e o PT como sócios majoritários.

Sobre o alegado esgotamento da parceria com o PT, o parlamentar não defende o desembarque imediato do PMDB da gestão Dilma Rousseff. “Temos obrigação de dar sustentabilidade política para o governo dela”, afirmou, antes de aditar: “Mas o PMDB vai buscar o seu caminho em 2018. Não vejo o PMDB de novo em uma candidatura do PT.” Conforme ele, a separação pode se materializar já nas eleições de 2016, “em algumas capitais”.

Ao jogar o rompimento para o futuro, Cunha acaba se associando à tese que prevaleceu no encontro do PT. Por maioria de votos, o petismo rejeitou uma proposta de suas alas mais à esquerda de rompimento imediato das relações com o PMDB.

Entretanto, o dirigente da Câmara lança no ar uma ameaça de separação em prazo mais curto. Segundo ele, o caldo entornaria mais rapidamente se o vice-presidente Michel Temer deixasse de ser prestigiado na sua atribuição de articulador político do governo. “Havendo ruptura desse processo com o Michel, haverá ruptura do PMDB com o governo”, ressaltou. “Isso é inevitável. Na hora em que o Michel for sabotado e confrontado no processo, deixar o comando da articulação política, que não pediu para assumir, não tem razão nenhuma de o PMDB ficar no governo.”

Nesse ponto, as declarações dele referem-se claramente a uma fenda que se abriu na última semana nas relações de Temer com o ministro petista Aloisio Mercadante. O chefe da Casa Civil de Dilma defendeu a nomeação de um novo ministro para comandar a Secretaria de Relações Institucionais. Era essa secretaria que se ocupava da articulação política antes de a presidenta delegar tal atribuição ao vice-presidente. Por isso, a sugestão de Mercadante foi recebida pelo PMDB como uma tentativa de sabotar o trabalho de Temer.

A pedido de Dilma, que se encontrava em Bruxelas (Bélgica), outro ministro petista, Edinho Silva (Comunicação Social da Presidência), procurou Temer para informar que a presidenta não cogita seguir o conselho de Mercadante. Mas peemedebistas como Cunha olham de esguelha para o quarto andar do Planalto, onde funciona a Casa Civil.

“Vejo nitidamente que há uma tentativa de sabotagem do PT ao Michel dentro da articulação. Não tenho dúvida nenhuma disso”, disse Cunha, abstendo-se de citar Mercadante. “Isso é um tiro no pé, porque a condição, quando levaram o Michel, era que, justamente, você não vai demitir o vice. Qualquer tentativa de sabotagem do Michel acabará em ruptura.”

Instado a comentar a baixa popularidade de Dilma, o deputado atribuiu o desgaste ao fato de a presidenta implementar medidas diferentes das que havia prometido em campanha. “Isso gerou uma contestação que levou a uma continuada perda de popularidade, agravada pelo processo das denúncias generalizadas de corrupção e pela situação da economia, que deu uma deteriorada.”

Cunha fala da generalização das denúncias como se não estivesse respondendo a inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de corrupção na Petrobras. Concentrando-se na mandatária, acredita que a impopularidade dela “chegou ao ápice”. Depois disse: “a tendência é recuperar”. Conforme ele, “para ela [Dilma] melhorar os níveis de popularidade depende de três fatores: conseguir recuperar a economia, ter uma estabilidade política e precisa, efetivamente, mostrar ações. Dependendo do sucesso ou insucesso desse conjunto, ela poderá recuperar mais ou menos”.

Cunha descrê da hipótese de o PT dar de ombros para Dilma. Acha que “o instinto de sobrevivência vai preservar” as relações da chefe do Executivo com o seu partido.

Josias de Souza/Folhapress

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