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Política Presidente da Câmara dos Deputados mantém sigilo sobre seus acompanhantes em voos oficiais da FAB

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As falas de Lira ocorreram após levantamento do Instituto Paraná Pesquisas. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Em meio às denúncias que envolvem seu ex-assessor, Luciano Cavalcante, no âmbito da operação Hefesto da Polícia Federal, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), mantém sigilo dos nomes das pessoas que o acompanham nos voos da Força Aérea Brasileira (FAB).

Pelos corredores da Câmara, é recorrente a afirmação de que ambos costumavam viajar juntos nos voos oficiais, principalmente no trajeto Brasília-Alagoas. O Comando da Aeronáutica e a Câmara se negam a fornecer a lista de passageiros nos voos oficiais. Lira disse que não comentaria o assunto.

Amparada pela Controladoria-Geral da União (CGU), a Aeronáutica diz que é necessário buscar a informação junto ao órgão que solicitou a aeronave, ou seja, a Câmara dos Deputados.

A Câmara, por sua vez, diz não ter os dados e cita um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou que a FAB é responsável por fazer o “Diário de Bordo de lista de passageiros”.

Ranking

De 1º de janeiro a 28 de abril, Lira requisitou 37 vezes jatos da FAB (Força Aérea Brasileira) e foi a autoridade que mais usou os aviões oficiais no período. Na média, realizou 1 voo a cada 3 dias.

Das 37 viagens, 20 tiveram a capital de Alagoas, Estado de Lira, como origem ou destino. Segundo a assessoria do presidente da Câmara, as viagens foram feitas por motivo de segurança, conforme determina a lei.

No total, foram 482 trechos voados por 43 autoridades. Alguns dos voos foram divididos entre duas ou mais autoridades.

O ministro Flávio Dino (Justiça), aparece em 2º lugar entre os que mais requisitaram aviões, com 34 voos da FAB. Assim como se deu com Lira, a maioria dos trechos voados teve como origem ou destino São Luís do Maranhão, cidade natal de Dino.

Em 3º lugar aparece o ministro Waldez Góes (Desenvolvimento Regional), com 27 voos registrados na FAB. No caso de Waldez, não predominam as viagens ao seu Estado Natal e há vários voos no mesmo dia.

Ao solicitar o voo à FAB, a autoridade informa uma estimativa de passageiros. Todos os voos de 2023, somados, chegam a 5.079 passageiros, média de 10,5 por viagem. Quem tem a maior média de passageiros é Waldez Góes (16,5 a cada trecho).

Há 3 situações citadas em lei para realizar voos em aviões da FAB: emergência médica, segurança ou serviço.

Ao todo, 139 das 482 viagens incluíram a rubrica “segurança” como justificativa (às vezes, junto com serviço). Nas últimas décadas, foram registrados vários episódios de grande liberalidade das autoridades na solicitação de voos.

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