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Mundo O presidente das Filipinas afirmou que a polícia vai disparar na vagina das mulheres terroristas

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Duterte referia-se às guerrilheiras do Novo Exército do Povo, ativo no arquipélago. (Foto: Reprodução)

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, disse nesta segunda-feira (12) que é preciso “disparar na vagina” das mulheres que fazem parte do grupo guerrilheiro Novo Exército do Povo, um comentário que está a ser condenado por várias organizações internacionais e locais.

“Digam aos soldados que há uma nova ordem: ‘Não te mataremos, iremos disparar-te na vagina'”, disse Duterte em uma reunião com ex-militantes do NEP [Novo Exército do Povo], um grupo comunista considerado “terrorista” pelos EUA e pela União Europeia. Duterte referia-se às guerrilheiras do Novo Exército do Povo, ativo no arquipélago.

O chefe de Estado filipino referiu-se às militantes do NEP no passado dia 07 de fevereiro, mas a transcrição oficial da reunião só foi conhecida hoje. Na mesma reunião Duterte acrescentou que as militantes do NEP “sem vagina, seriam inúteis”, um comentário qualificado de “misógino” pela Human Rights Watch e várias organizações não-governamentais filipinas.

Duterte “está a incitar as forças governamentais a cometer atos de violência sexual em conflitos armados, o que constitui uma violação do direito humanitário internacional”, alerta a Human Rigths Watch. A organização feminista filipina “Gabriela” disse através de um comunicado que Duterte “fomenta abertamente a violência contra as mulheres, contribui para a impunidade e assume-se como o ‘macho fascista’ mais perigoso do governo, neste momento”.

O presidente das filipinas, de 72 anos, já fez no passado vários comentários públicos considerados sexistas, misóginos e depreciativos em relação às mulheres. Em junho de 2016, antes de assumir o cargo de chefe de Estado, Duterte foi fortemente criticado por ter contado uma “anedota” sobre uma freira australiana violada e assassinada num motim prisional e, mais recentemente, afirmou que “está disposto a oferecer 42 virgens” a cada turista que visitar as Filipinas.

Polêmico

Em novembro do ano passado, Duterte afirmou ter matado uma pessoa a punhaladas quando era adolescente, em um discurso incendiário para defender sua guerra contra o tráfico de drogas, na véspera da cúpula internacional celebrada no Vietnã.

Na declaração, feita para a comunidade filipina da cidade vietnamita de Danang, Duterte também ameaçou “esbofetear” Agnès Callamard, enviada especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para investigar denúncias de execuções sumárias ou arbitrárias. No discurso, também chamou de “filhos da puta” os que criticam sua campanha de repressão contra o tráfico de drogas.

“Quando eu era adolescente, entrava e saía da prisão, por brigas”, afirmou o mandatário filipino, em um discurso em Danang, onde participa da cúpula do APEC [Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico], no qual também estão presentes os presidentes americano, Donald Trump, e o chinês Xi Jinping. “Com 16 anos, matei alguém. Uma pessoa de verdade, em uma briga, a punhaladas. Eu tinha apenas 16 anos. Foi por causa de um simples olhar. Quanto mais agora que sou presidente?”.

 

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