Terça-feira, 31 de março de 2026
Por Redação O Sul | 19 de março de 2026
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encaminhou ofício à diretora-geral do Supremo Tribunal Federal (STF) – responsável pela administração da Corte –, nessa quinta-feira (19), para identificar formalmente o usuário de um aparelho de celular de titularidade do Supremo que trocou mensagens com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A descoberta não ocorreu por meio de vazamentos, mas a partir de procedimentos técnicos conduzidos pela própria comissão parlamentar.
Ao analisar os dados armazenados em nuvem de Vorcaro, onde ele realizava backups de conversas – incluindo diálogos com a ex-namorada Martha Graeff –, a CPMI identificou a recorrência de um número de telefone.
Posteriormente, um requerimento ao Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos (SITTEL), que centraliza informações fornecidas por operadoras de telefonia, confirmou que o referido número está vinculado ao STF.
A principal dúvida que passou a mobilizar a comissão é se o terminal identificado na perícia dos dados em nuvem corresponde ao mesmo utilizado no contato entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro no dia da prisão do empresário.
Enquanto aquela conversa – revelada pela colunista do jornal O Globo, Malu Gaspar – foi extraída diretamente do dispositivo físico de Vorcaro, os novos dados obtidos por meio do sistema SITTEL dizem respeito a registros de backup remoto.
O que os parlamentares buscam esclarecer, ao oficiar a direção do STF, é se os registros provenientes da nuvem apontam para o mesmo interlocutor ou se indicam a existência de outro contato no âmbito do Supremo.
Considerando que Vorcaro mantinha o hábito de armazenar capturas de tela e backups de suas interações, a comissão pretende cruzar o “DNA” dessas informações, a fim de verificar se o número agora rastreado pertence a um gabinete específico ou se corresponde a uma linha institucional distinta daquela que já foi tornada pública.
A questão central que se coloca no plano político envolve o nível de transparência que será adotado pelo STF: o tribunal poderá optar por individualizar o uso do terminal – indicando, por exemplo, se estava vinculado a um gabinete ou setor específico – ou tratar a informação sob regime de sigilo. No atual contexto político em Brasília, a resposta da Corte é apontada como potencial fator de intensificação da crise. (Com informações da colunista Julia Duailibi, do portal de notícias g1)
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