Sábado, 29 de novembro de 2025
Por Redação O Sul | 29 de novembro de 2025
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que dados recentes indicam um processo de desaquecimento “lento e gradual” da economia. Ele ressaltou que a instituição manterá a taxa de juros no patamar necessário, pelo tempo que for preciso, para alinhar as expectativas do mercado à meta estabelecida (que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos).
“Os dados continuam demonstrando um processo de desaquecimento, desaceleração da economia, mas bastante lento e gradual. A gente gostaria que a convergência da inflação fosse mais rápida, mas, por outro lado, isso também afasta aquele risco de se estar produzindo uma desaceleração muito abrupta na economia. Acho que está indo neste caminho”, disse, acrescentando que a trajetória da inflação está seguindo próximo do “plano de voo” imaginado pelo BC.
Galípolo ressaltou que “o Banco Central pode produzir a convergência com mais custo ou menos custo, mas o Banco Central vai colocar a taxa de juros no patamar necessário pelo tempo que for necessário para produzir a convergência”.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até outubro foi de 4,68%. O indicador vem recuando desde abril, quando estava em 5,53%. Já a meta de inflação a ser perseguida pelo BC é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Nas últimas semanas, as projeções medianas do mercado para o IPCA do fim deste ano, segundo o Boletim Focus, começaram a entrar no intervalo, caindo de 4,56% há quatro semanas para 4,45% nesta semana.
O chefe da autoridade monetária ecoou uma visão que constava na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No documento, publicado início deste mês, o colegiado destacava o prosseguimento de uma “redução gradual” no crescimento.
De acordo com Galípolo, o BC tem dado “bastante ênfase” em ressaltar que quer reunir dados e ganhar confiança no processo de condução da política monetária. Ele disse que a mudança que ocorreu na comunicação entre as duas últimas reuniões do Copom é que o colegiado está observando que os dados novos apontam para a direção imaginada. “Não vejo nenhum dado que surgiu nesse ciclo que promova qualquer mudança de direção para a gente. É um processo em que a gente vai seguir dependente de dados.”
Mercado de crédito
O presidente do BC disse que o mercado de crédito segue crescendo “de maneira surpreendente” para o nível de restrição da política monetária. “A gente ainda segue com esse canal, que é o canal por excelência de transmissão de política monetária, apresentando um impulso e um crescimento relevante e que demandam essa vigilância do Banco Central”, afirmou.
Questionado sobre câmbio e o possível efeito no dólar das mudanças na tributação de dividendos previstas no projeto de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, Galípolo disse que o BC “é muito contente com a linha de defesa do câmbio flutuante”. Bruno Serra, gestor da família de fundos Janeiro, da Itaú Asset, e ex-diretor de política monetária do BC, destacou que o mercado discute o quanto pode haver de saída de recursos neste ano por conta da mudança.
Galípolo disse que a autoridade monetária acompanha os indicadores para saber quando se faz necessária, por disfuncionalidade, alguma intervenção. “O que acho que existe de novidade é ter uma preocupação de que essa regra nova seja bem compreendida por todos os agentes para que as reações sejam adequadas e proporcionais ao que é a regra nova”, afirmou.
Eleições 2026
O presidente do BC foi questionado sobre as eleições de 2026, afirmando que anos eleitorais podem apresentar maior volatilidade. “O Banco Central segue naquela lógica que não faz juízo de valor sobre o que acha que vai ser feito a partir da eleição e sim como isso afeta é nosso mandato efetivamente, a demanda, a inflação corrente e as expectativas. É dessa maneira que a gente vai seguir na nossa governança”, afirmou. Com informações do Valor Econômico e O Globo.