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Economia Presidente do Banco Central reconhece impacto do aumento da energia sobre a inflação

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(Foto: Raphael Ribeiro/BCB)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reconheceu o forte impacto da Bandeira de Escassez Hídrica sobre a inflação. A taxa extra criada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) passou a ser aplicada nas contas de energia elétrica nesta semana e se estenderá até abril do ano que vem. O valor é 49,63% a mais em relação ao da bandeira vermelha patamar II, que era cobrada até então, um salto de R$ 9,49 para R$ 14,20 por 100 quilowatt-hora.

Embora não tenha se estendido sobre a questão, o presidente do BC afirmou que a crise hídrica é mais preocupante sob a ótica do aumento de preços e seu reflexo na inflação do que da possibilidade de racionamento. Segundo ele, os aumentos na energia elétrica refletem nas demais cadeias produtivas e “realmente impactam bastante” a inflação.

O presidente da instituição também afirmou que, em breve, o banco divulgará informações sobre o hiato do produto (com a mensuração das oscilações cíclicas da energia elétrica), que poderão explicar o descasamento entre os cálculos do BC para a inflação de 2022 e as previsões do mercado.

Nesse sentido, Campos Neto falou sobre a importância da comunicação junto ao mercado financeiro, no enfrentamento dos desafios para calibrar a política monetária e tentar conter a inflação. Para ele, as diferenças entre projeções partem de questões sobre “ritmo de fechamento do hiato do produto e inércia inflacionária”.

A crise hídrica foi só um dos pontos citados por ele em um evento. O presidente do BC falou também sobre os desafios na condução da política monetária diante das incertezas na economia brasileira. “A gente tem todos os choques externos, choques internos, a crise hídrica, mais um ruído eleitoral, de fato isso dificulta”, disse. “Mas o BC tem de pensar que a nossa missão é atingir a meta, entregar a meta de inflação, isso é o elemento mais importante para garantir a estabilidade com crescimento sustentável de curto, médio e longo prazo”, completou.

O presidente do Banco comparou o atual descolamento da inflação com relação à taxa básica de juros (Selic) com o registrado na época em que a taxa atingiu a mínima histórica de 2% ao ano. “Com os dados que a gente tinha naquele momento, a desancoragem para baixo em termos de magnitude era muito maior do que ela é para cima hoje. A gente está num exercício de olhar para o outro lado, entendendo essa inércia, os diversos choques”, afirmou.

Inflação generalizada

Campos Neto ressaltou que a hiperinflação não é um problema somente no Brasil, mas em grande parte do mundo, que tem tido pressão de preços tanto para o consumidor, como no custo de produção. Segundo ele, a limitação na produção e o aumento na demanda pioram o quadro. Além disso, ele explicou que existe dificuldade em identificar qual parte dessa inflação é repassada do produtor para o consumidor.

“Existe um movimento de reprecificação de inflações para a frente, com as inflações mundiais subindo e algumas que estavam encontrando uma estabilidade voltando a subir recentemente, como Alemanha e Inglaterra”, disse.

A limitação citada se dá em razão da falta de componentes para produção, como tem ocorrido, há alguns meses, no setor automotivo no Brasil. O presidente do BC citou ainda o fechamento de fábricas de carros no país e ressaltou que a escassez de semicondutores que atinge o setor é a pior em 25 anos.

tags: em foco

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