Sábado, 30 de maio de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
16°
Light Rain

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Presidente do Brasil a partir de 2023 provavelmente navegará num cenário externo bem distinto do que prevaleceu nas últimas décadas

Compartilhe esta notícia:

Ambiente externo pode ser muito diferente daquele que prevaleceu nas últimas décadas. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Banco Central (BC) brasileiro foi um dos que reagiu mais rápida e fortemente ao atual episódio de alta inflação que atinge inúmeros países mundo afora. Essa sem dúvida é uma vantagem que o próximo presidente terá, seja quem for – Roberto Campos Neto, presidente do BC, tem mandato por mais dois anos, e Lula já sinalizou que está contente com isso.

Mas independentemente do desempenho do BC em relação à inflação brasileira, o ambiente externo em que o novo governo vai navegar pode ser muito diferente daquele que prevaleceu nas últimas décadas.

Importantes analistas da cena econômica global consideram que uma nova era de inflação e juros mais altos no mundo chegou e pode ser duradoura.

Kenneth Rogoff, ex-economista chefe do FMI, vai por esse caminho em longo em denso artigo publicado na edição de novembro-dezembro da revista Foreign Affairs. Já Fernando Honorato Barbosa, economista-chefe do Bradesco, explora o mesmo tema em relatório divulgado na quinta-feira (27).

A atual narrativa sobre uma possível nova era de inflação e juros mais altos costuma remeter a dois parâmetros de sentido oposto. Em primeiro lugar, se pergunta o quão semelhante o momento atual é ao período que vai dos anos 70 ao início da década de 80, e que foi o de mais alta inflação após a normalização da economia global no pós-Guerra.

Outra questão é a de saber se de fato o mundo saiu em definitivo da fase que caracterizou as últimas décadas – e especialmente o período pós crise financeira global –, que foi um dos momentos de inflação e juros mais baixos do pós-Guerra.

Em relação à primeira pergunta, a resposta costuma ser “sim e não”. Nem tudo que estava presente na década de 70 em termos de fatores condicionantes da inflação e dos juros acontece agora, mas há, sim, semelhanças, como os fortíssimos choques: lá, o do petróleo e do fim do sistema de Bretton Woods de taxas de câmbio fixas, e agora os da pandemia e da guerra da Ucrânia.

Em seu artigo, Rogoff chama a atenção para outras similaridades em termos de políticas econômicas entre os dois momentos. Tanto nos anos 70 quanto no período recente até a atual disparada da inflação, ideias keynesianas de estímulo à economia sem maiores custos estavam em voga.

Nos anos 70, o Fed, BC dos EUA, e outros BCs relutavam em combater de forma muito drástica a alta da inflação, pelo temor de produzir recessão e desemprego muito agudos. Hoje, segundo o economista norte-americano, os BCs também mostram esse tipo de cautela, em boa parte pelo fato de terem sido enfraquecidos em sua legitimidade pelas fortes perdas do cidadão comum com a recessão provocada pela crise financeira global.

Em relação à segunda questão, sobre se o fim da era de inflação e juros superbaixos é para valer, o que se aponta é que mudanças na economia chinesa (que “exportou” desinflação para o resto do mundo por décadas) e a chamada “desglobalização” podem ser fatores estruturais daquela mudança.

Em seu relatório, Barbosa argumenta que “o benefício marginal de produtos industrializados chineses baratos para o mundo diminuiu muito”. As razões são que o crescimento baseado no êxodo rural chinês está praticamente concluído, a nova ênfase do Partido Comunista Chinês (PCC) em prosperidade compartilhada significa reconhecer direitos trabalhistas e dar mais liberdade à ação sindical, e, finalmente, o desafio econômico na atual fase de desenvolvimento da China é justamente o mercado doméstico, nos serviços e no problemático setor imobiliário.

Dessa forma, o cenário de um mundo com mais inflação e juros mais altos para o próximo mandato presidencial no Brasil parece muito plausível. Será um mundo no qual provavelmente desequilíbrios macroeconômicos, como o desarranjo fiscal estrutural brasileiro, se tornarão mais graves e destrutivos. (Fernando Dantas)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Lula ou Bolsonaro? As ações que devem decolar em cada cenário
Próximo presidente terá quatro desafios críticos na economia
Pode te interessar