Terça-feira, 05 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de maio de 2026
Nenhum “governo estrangeiro” pode intervir no México, afirmou a presidente Claudia Sheinbaum na última sexta-feira, dois dias depois de os Estados Unidos acusarem um governador e outros nove funcionários do partido governista de terem ligações com o narcotráfico. A Procuradoria-Geral da República de Nova York revelou na quarta-feira que solicitou a prisão e extradição do governador Rubén Rocha Moya, do partido Morena e aliado próximo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador.
Um senador, um prefeito e outros sete funcionários também são acusados de supostos vínculos com o cartel de Sinaloa para distribuir “enormes quantidades de narcóticos nos Estados Unidos”. Sem mencionar explicitamente os Estados Unidos ou a acusação, Sheinbaum afirmou nesta sexta-feira, em um evento público no estado de Chiapas, no sul do país, que seu governo defende o princípio da soberania.
“Nenhum governo estrangeiro pode entrar em nosso território. Porque aqui temos homens e mulheres mexicanos que defendem nossa pátria. É por isso que qualquer governo estrangeiro se chocará com nossos princípios”, enfatizou ela.
A acusação contra Rocha, um senador, um prefeito e outros sete funcionários abalou o partido governista no México, já que é a primeira vez que autoridades de alto escalão são acusadas de envolvimento com o narcotráfico. Na quinta-feira, Sheinbaum rejeitou categoricamente as acusações e pediu aos Estados Unidos que apresentassem provas “irrefutáveis”.
O Ministério Público dos EUA solicitou que as autoridades mexicanas prendam os dez políticos, uma etapa anterior ao processo de extradição. A Procuradoria-Geral da República do México já havia começado a analisar o caso, mas na sexta-feira recusou-se a prosseguir com as prisões por falta de provas.
“Não há referência, razão, fundamento ou prova que nos permita entender por que a prisão preventiva é urgente”, disse Raúl Jiménez, da Divisão de Assuntos Internacionais da Procuradoria-Geral da República, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira.
“Acusações falsas”
Rubén Rocha Moya anunciou no fim desta sexta-feira que se afastará temporariamente do cargo para facilitar as investigações da Procuradoria-Geral da República. O governador do estado de Sinaloa, no noroeste do México, próximo ao ex-presidente de esquerda Andrés Manuel López Obrador, tachou de “falsas e maliciosas” as acusações da promotoria do Distrito Sul de Nova York, que solicitou sua captura para subsequente extradição.
“Informo ao povo de Sinaloa que hoje apresentei ao Congresso estadual meu pedido de afastamento temporário do cargo de governador”, disse Rocha Moya, de 76 anos, em um comunicado divulgado em vídeo no YouTube pouco antes da meia-noite. “Eu posso olhar minhas pessoas e minha família nos olhos porque não os traí e nunca o farei. E vou demonstrar isso firmemente quando as instituições judiciais de nosso país pedirem.” As informações são da agência de notícias AFP.
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