Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden não vai impedir a China de se tornar a maior economia do mundo, diz diplomata

Compartilhe esta notícia:

Autor do livro "A China venceu?" vê pensamento estratégico no país asiático. (Foto: Reprodução)

O título que o diplomata cingapurense Kishore Mahbubani escolheu para seu oitavo livro é provocativo: “A China venceu? O desafio chinês à supremacia americana”.

A provocação reflete não um diagnóstico, mas o tom da mensagem: a vitória em questão não significa que os chineses já sobrepujaram os americanos como potência dominante. Mahbubani argumenta que, hoje, a China tem vantagem em todos os pontos que determinam o triunfo geopolítico: cuidam melhor
de sua população mais pobre, investem melhor na relação com outros países e,
principalmente, têm um pensamento estratégico que falta aos americanos.

Representante de Cingapura na Organização das Nações Unidas (ONU) em dois períodos que somam mais de dez anos, membro da Academia Americana de Artes e Ciências e membro emérito do Instituto de Pesquisas da Ásia na Universidade Nacional de Cingapura, Mahbubani é um profundo conhecedor da diplomacia americana e das relações entre o Ocidente e a Ásia. No livro, mostra cuidadosamente que as bases do confronto entre China e Estados Unidos são diferentes de como costumam ser descritas, ao menos no Ocidente. Não se pode entendê-lo com dicotomias como liberalismo versus dirigismo ou democracia versus ditadura.

Escrito em 2019, o livro chega ao Brasil após um evento histórico transformador: a pandemia de covid-19, que teve a China como origem e os Estados Unidos como um dos principais epicentros. Mahbubani falou ao Valor sobre o que muda na gestão de Joe Biden nos Estados Unidos, as possíveis consequências da pandemia e os melhores caminhos a tomar para países emergentes.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

1) O livro faz muitos alertas sobre a atuação de Donald Trump como presidente dos EUA. Algo muda com a troca de governo?

Aceitei correr um certo risco ao escrever, logo no primeiro parágrafo, que o conflito na relação entre os Estados Unidos e a China seguiria após Trump. Quando escrevi, não sabia que ele perderia a eleição, mas sabia que qualquer
presidente manteria o confronto com a China, porque ele é conduzido por forças estruturais. Por milhares de anos, sempre que a maior potência do mundo corre o risco de ser ultrapassada pelo segundo lugar, ela se esforça para conter a rival. O próprio Biden tem dito que a China não vai se tornar a número um sob a guarda dele. Se ele ficar quatro anos, talvez não, mas se for reeleito, é bem possível que aconteça, sim.

2) Mas a tática muda. Biden busca confrontar a China por meio de alianças
multilaterais, revertendo o isolacionismo do antecessor.

Os EUA vão tentar de todo jeito evitar que a China se torne a número um.
O problema é que eles não têm uma estratégia para conseguir isso. Trump, de fato, fez tudo ao contrário do que deveria. Alienou todos os aliados, como os europeus, que sofreram com tarifas e sanções. Alienou o Japão e a Coreia do Sul, exigindo que pagassem mais caro por sua defesa. Usou um termo ofensivo para se referir a países africanos. Por contraste, Biden está tentando reunir os aliados. Conversa com Japão e Coreia, os europeus, a Índia. Mas ainda está cometendo um grande erro: não tem estratégia! O que a administração Biden está tentando realizar? Impedir a China de se tornar a maior economia? Não vai acontecer. Remover o Partido Comunista Chinês? Não vai acontecer. Isolar a China? Não vai acontecer. Nenhum desses objetivos é viável.

3) A pandemia abalou o mundo, com péssimos resultados no Ocidente e a China se recuperando rápido. Pode acelerar o processo de ultrapassagem?

Acho importante enfatizar que ainda estamos no meio da batalha contra
a covid-19. É perigoso fazer juízos definitivos sobre o impacto de longo prazo da covid19. Mas já vejo muita gente chocada com o mau desempenho dos países desenvolvidos, Europa e EUA, nessa batalha. No começo do ano passado, havia muitos avisos de que seria preciso se preparar para um vírus muito perigoso. Os países ocidentais ignoraram esses avisos. É claro que a China foi mal na primeira resposta, mas isso é natural. Depois, destacou-se.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Cansou de ir ao mercado? Elon Musk anuncia robô que fará isso por você. Veja como vai funcionar
Samsung acata críticas e corta propaganda em aplicativos do Galaxy
Pode te interessar