Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de agosto de 2021
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, defendeu sua decisão de retirar as tropas americanas do Afeganistão, o que abriu caminho para que o país fosse retomado pelo grupo extremista islâmico Talibã. Mas ele foi alvo de fortes críticas internas e externas. E imagens de caos em Cabul, com mortes e pessoas desesperadas tentando deixar a capital, abalaram a credibilidade dos EUA e do presidente.
“O Afeganistão é o resultado militar mais embaraçoso da história do país”, disse o ex-presidente Donald Trump. “Não era para ser assim.” Alguns aliados democratas de Biden no Congresso juntaram-se às críticas. “Nossa presença militar no Afeganistão não deveria continuar indefinidamente, mas a retirada das tropas dos EUA deveria ter sido planejada para prevenir a violência e a instabilidade”, disse o senador Tom Carper.
“Não há dúvida de que esta é a maior crise do governo de Biden, que fracassa no seu primeiro grande teste de política externa”, afirmou o presidente da consultoria Eurasia Group, Ian Bremmer. “Estava claro que a presença dos EUA no longo prazo no Afeganistão era insustentável, mas houve falhas significativas na análise de inteligência, excessiva falta de planejamento e completa ausência de estratégia de coordenação ao se decidir sem nenhuma cerimônia a retirada da mais longa guerra da história americana.”
No discurso na Casa Branca, Biden admitiu que o Afeganistão vive uma calamidade e que a retirada foi “longe de ser perfeita”, mas defendeu sua decisão. “Após 20 anos, aprendi que nunca haveria um bom momento para sair.”
Em meio às justificativas, Biden criticou o governo de Trump pela condução de um acordo que considera ineficaz com o Talibã, para permitir a retirada. “A escolha que tive de fazer era cumprir esse acordo ou estar preparado para voltar a lutar [em grande escala] contra o Talibã, em pouco tempo”, disse.
Biden também transferiu parte da culpa pela crise para os afegãos, dizendo que os EUA tinham feito de tudo para capacitá-los a defender seu país: “Os líderes políticos do Afeganistão desistiram e fugiram do país. As forças militares afegãs entraram em colapso, às vezes sem tentar lutar ”, disse. “Não podemos e não devemos lutar e morrer em uma guerra que as forças afegãs não estão dispostas a lutar por si mesmas. Nossa missão no Afeganistão nunca foi nem deveria ser a da construir uma nação.”
Contrariando alegações feitas dias trás por Biden de que “imagens de pessoas fugindo pelos telhados” não seriam vistas no Afeganistão, as cenas transmitidas de Cabul para o mundo evocavam justamente a retirada dramática de Saigon, no fim da Guerra do Vietnã, em abril de 1975.
“Essas imagens, às vésperas do 20º aniversário do 11 de Setembro, talvez fiquem como o grande lembrete de que estivemos este tempo todo no Afeganistão, gastando US$ 2 trilhões e perdendo muitas vidas, sem um bom resultado”, afirmou Norman J. Ornstein, analista do centro de pesquisas conservador American Enterprise Institute.
“A retirada em si não é uma decisão errada, mas o caos e o fracasso em torná-la ordenada serão politicamente prejudiciais para Biden. A duração das comparações com o Vietnã vai depender do acontecerá nas próximas semanas e meses. E, para sorte dele, muitas outras coisas acontecerão antes das próximas eleições, substituindo as cenas do Afeganistão.”
Segundo estimativas, a guerra no Afeganistão, para tirar e manter o Talibã fora do poder, custou até agora mais de US$ 2 trilhões. Estima-se também que mais de 212 mil pessoas morreram no conflito, incluindo mais de 47 mil civis e 2.420 soldados americanos.
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