A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) marcou o início de uma nova etapa para o programa brasileiro de biocombustíveis. Ao acompanhar os testes de misturas mais elevadas de biodiesel ao diesel, Lula reafirmou o compromisso do Governo Federal com a Lei Combustível do Futuro e destacou que o Brasil tem condições de liderar a transição energética mundial.
O presidente ressaltou que o país pode mostrar ao mundo que é possível reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. Em discurso, defendeu que o Brasil tem todas as condições para ser protagonista da transição energética e aproveitou para valorizar a formação de engenheiros e engenheiras, em gesto de aceno ao eleitorado feminino. A presença de ministros como Alexandre Silveira (Minas e Energia), Guilherme Boulos (Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho) reforçou o peso institucional da agenda.
A Lei Combustível do Futuro, sancionada recentemente, prevê a mistura obrigatória de biodiesel de até 20% até 2030 e possibilidade de 25% a partir de 2031. O governo estima que o marco legal destrave R$ 250 bilhões em investimentos privados até 2030. Além do biodiesel, a lei cria programas para combustível sustentável de aviação (SAF), diesel verde e biometano, com metas de descarbonização que podem evitar a emissão de 705 milhões de toneladas de CO₂ até 2037.
Os testes de 300 horas iniciados no IMT avaliarão o desempenho dos motores com percentuais mais elevados de biodiesel, fornecendo base técnica para decisões sobre a ampliação da mistura obrigatória, dos atuais 15% (B15) para até 25% (B25). Técnicos do Ministério de Minas e Energia alertam, porém, que a adoção imediata de B16 ainda não é viável, pois faltam ensaios obrigatórios. Pareceres indicam que apenas em fevereiro de 2027 será possível concluir a viabilidade para misturas acima de B15, evitando riscos como formação de borras, entupimentos e perda de confiança regulatória.
Para o presidente da APROBIO, Jerônimo Goergen, a visita consolida o biodiesel como prioridade da agenda energética: “Encerramos um ciclo importante e agora iniciamos uma nova fase de consolidação, com testes de longa duração que darão ainda mais segurança para o avanço da mistura. A presença do presidente Lula demonstra que o governo reconhece o biodiesel como prioridade para fortalecer a segurança energética, impulsionar o desenvolvimento nacional e acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.”
A visita presidencial ao IMT reuniu governo, setor produtivo e comunidade científica em torno de um objetivo comum: ampliar de forma segura e baseada em evidências a participação do biodiesel na matriz energética. O momento é considerado estratégico, pois combina apoio político, ambiente regulatório favorável, perspectivas econômicas robustas e desafios técnicos a superar. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
