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Política Prestígio da direita sul-americana desafia Lula

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Desde que assumiu o atual mandato, Lula viu a esquerda perder eleições e deixar o poder em três países do continente

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Desde que assumiu o atual mandato, Lula viu a esquerda perder eleições e deixar o poder em três países do continente. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê a política internacional, em ano eleitoral, ganhar peso maior na rotina brasileira, em um cenário desfavorável na comparação com seus dois outros mandatos. O mapa de coloração política na América do Sul está mudando, e pesquisas de opinião mostram que líderes estrangeiros mais à direita passaram a ser mais bem-vistos no Brasil, enquanto antigos aliados de esquerda do PT perderam poder ou viram a avaliação desmoronar no País. Ao mesmo tempo, no entanto, o mote da “soberania” após intervenções dos Estados Unidos pode favorecer o petista.

Desde que assumiu o atual mandato, Lula viu a esquerda perder eleições e deixar o poder em três países do continente: Argentina, Bolívia e Chile. Já a Venezuela, da qual havia se afastado em 2024 na esteira do recrudescimento antidemocrático do chavismo, sofreu ataques dos Estados Unidos que culminaram na captura de Nicolás Maduro. Na Colômbia, o esquerdista Gustavo Petro é outro alvo recorrente de ameaças de Donald Trump, e o país vai às urnas em maio com favoritismo da oposição. O único no continente que trocou a direita pela esquerda desde o início de 2023 foi o pequeno Uruguai.

Dados da pesquisa Latinobarómetro, que mede a cada ano a imagem de uma série de presidentes do continente americano, mostram que 58% dos brasileiros avaliavam Maduro negativamente, e apenas 5% de forma positiva, na última rodada do levantamento, de 2024. Foi o pior índice atingido por um presidente venezuelano no Brasil na série histórica. Em 2020, a avaliação negativa de Maduro era de 42%, e a positiva, 7%.

O uso do regime venezuelano pela oposição ao PT é mais convidativo hoje do que há duas décadas, quando Hugo Chávez tinha 26% de avaliação negativa no Brasil e 13% de positiva. Nesse período, os líderes venezuelanos se tornaram mais conhecidos pelos brasileiros: 55% não sabiam avaliar Chávez em 2005, contra 33% que não opinaram sobre Maduro em 2024.

Os dados do Latinobarómetro também apontam que, se a avaliação do presidente dos EUA, George W. Bush, era pior do que a de Chávez no Brasil em 2005, hoje a situação tende a ser diferente com Trump. Na última rodada do levantamento, Trump recebeu notas positivas de 26% dos brasileiros. Na ocasião, que precisa ser relativizada porque ainda não havia sido imposto o tarifaço ao país, 37% avaliavam negativamente o presidente americano, índice inferior ao que ele mesmo tinha em 2020.

Apesar do impacto posterior das tarifas, outros líderes de direita e aliados de Trump têm visto seu prestígio em alta no Brasil e em países vizinhos. Segundo o Latinobarómetro, Nayib Bukele, presidente de El Salvador, na América Central, se tornou no ano passado o líder com melhor avaliação na América Latina, considerando os países pesquisados. A avaliação de Milei, embora atrás de Lula, também superou a de outras figuras de esquerda. Bukele na área da segurança e Milei na econômica viraram os grandes “modelos” que a direita propaga para se contrapor ao presidente brasileiro. (Com informações do jornal O Globo)

 

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