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Saúde “Prevenção é palavra-chave”, diz cardiologista sobre infarto, cada vez mais comum entre jovens

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Embora seja mais frequente em pessoas acima dos 60 anos, estudos recentes apontam aumento de casos entre jovens.

Foto: Reprodução
Embora seja mais frequente em pessoas acima dos 60 anos, estudos recentes apontam aumento de casos entre jovens. (Foto: Reprodução)

A morte do diretor do Grupo Rodobens, Giuliano Verdi, de 51 anos, vítima de um infarto no dia 2 de janeiro, em Trancoso (BA), reacendeu o alerta para as doenças cardiovasculares, que seguem entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 400 mil brasileiros morrem todos os anos em decorrência de problemas cardíacos.

De acordo com a diretora nacional de Cardiologia da Rede D’Or, Olga Souza, uma parcela significativa dessas mortes poderia ser evitada com medidas preventivas, como acompanhamento médico regular, controle de fatores de risco e realização periódica de check-ups. Ela explica que o chamado infarto fulminante não é uma classificação formal nas diretrizes médicas, mas um termo usado para descrever quadros que evoluem rapidamente para arritmias graves ou morte súbita, geralmente provocados por obstrução total de uma artéria coronária ou extensa morte do músculo cardíaco.

O infarto ocorre, na maioria dos casos, como consequência da aterosclerose, processo silencioso em que placas de gordura se acumulam nas paredes das artérias, tornando-as mais rígidas e estreitas. Com o tempo, essas placas podem se romper e formar coágulos que interrompem o fluxo sanguíneo, impedindo que oxigênio e nutrientes cheguem ao coração.

Embora seja mais frequente em pessoas acima dos 60 anos, estudos recentes apontam aumento de casos entre jovens. Segundo a cardiologista, essa tendência está associada a hábitos de vida inadequados, como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, estresse crônico, uso de cigarros eletrônicos, anabolizantes e outras substâncias, além de fatores de risco tradicionais como hipertensão, colesterol elevado, diabetes e tabagismo.

Nos jovens, o infarto costuma ser mais grave, já que a ausência de circulação colateral favorece danos mais extensos ao músculo cardíaco e aumenta o risco de arritmias e morte súbita. Além disso, por não se considerarem em risco, muitos demoram a procurar atendimento médico, o que agrava o quadro. Os sintomas podem ser semelhantes aos observados em idosos, mas também aparecer de forma atípica, como dor na mandíbula, nas costas ou desconforto inespecífico.

A recomendação é que o check-up cardiológico comece a partir dos 30 ou 35 anos, tornando-se essencial após os 40. A avaliação inclui consulta médica, exames de sangue para análise de colesterol, triglicerídeos e glicemia, além de exames como eletrocardiograma e, conforme o perfil do paciente, ecocardiograma, teste ergométrico ou exames de imagem das artérias.

Entre os fatores de risco não modificáveis estão sexo masculino, idade e histórico familiar de doenças cardíacas. Já os fatores adquiridos ao longo da vida incluem hipertensão arterial — muitas vezes assintomática — diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e estresse. O estresse crônico, associado à ansiedade e à depressão, contribui para processos inflamatórios, aumento da pressão arterial e sobrecarga do sistema cardiovascular.

Nas mulheres, os sintomas de infarto tendem a ser mais sutis e atípicos, como náuseas, falta de ar, dor nas costas, fadiga intensa e indigestão, o que dificulta o diagnóstico. Até a menopausa, há uma proteção hormonal, mas após esse período o risco se iguala ao dos homens.

Ao suspeitar de um infarto, a orientação é buscar atendimento médico imediato. O tratamento rápido é fundamental para preservar o músculo cardíaco e reduzir complicações. “Quanto mais cedo o atendimento, melhor o prognóstico”, ressalta Olga Souza. Para ela, a prevenção segue sendo o principal caminho: manter hábitos saudáveis, praticar atividade física regular, controlar pressão, colesterol e glicose, evitar o tabagismo e cuidar da saúde mental.
(Com O Globo)

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