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Notícias Prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro por suspeita de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho é mais uma peça na apuração sobre a infiltração do crime organizado no poder público

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Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, foi preso pela PF em ação que apura vazamento de dados sigilosos. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A prisão preventiva do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), por suspeita de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), é mais uma peça na apuração sobre a eventual infiltração do crime organizado não apenas na economia formal, mas também no poder público. Bacellar é acusado de ter vazado informações sigilosas da investigação policial que há cerca de três meses resultou na prisão do então deputado pelo MDB Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, sob a mesma acusação de envolvimento com o CV.

No fim de semana anterior à prisão, Bacellar ocupava interinamente a cadeira de governador do Estado, substituindo Cláudio Castro (PL), que viajara ao Peru para acompanhar a final da Copa Libertadores. A sucessão direta de Castro por Bacellar, antigos aliados, faz parte de um arranjo político que culminou com a renúncia, em maio, do vice-governador Thiago Pampolha, indicado para o Tribunal de Contas do Estado. Bacellar, que até pouco tempo preparava candidatura a governador em 2026, precisava ganhar visibilidade.

Pelo menos nisso não se pode dizer que tenha fracassado. O deputado nunca esteve tão em evidência quanto nos últimos dias, preso durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A presumível associação de facções criminosas em atividades econômicas formais e na política institucionalmente constituída também vem ganhando destaque nacional. Em agosto, a Operação Carbono Oculto revelou ligações da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) com fintechs e empresas do setor de combustíveis.

O sequestro da atividade formal pelo crime organizado desafia o Estado Democrático de Direito. Em setembro, quando TH Joias foi preso, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) anunciou uma série de medidas que visavam a reduzir a interferência de traficantes e milicianos nas eleições de 2026. A principal delas é a mudança de endereço de dezenas de seções eleitorais no Estado. Na época, o vice-presidente do TRE-RJ, Claudio de Mello Tavares, destacou que eleitores de áreas sob o domínio do crime votam com medo. Ou seja, o eleitor, que parece ter se livrado do voto de cabresto do antigo coronelato político, agora se vê acuado pelo crime.

O ex-deputado TH Joias, aliado de Bacellar na Alerj, é um suspeito reincidente. Em 2017, foi preso pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), acusado de ser articulador do tráfico de drogas e armas do Rio. De acordo com a acusação, lavava dinheiro para as três facções rivais do Rio. Apesar do histórico, concorreu nas eleições de 2022 e conseguiu uma suplência, assumindo o cargo dois anos depois, com a morte do deputado titular. Depois da nova prisão, foi imediatamente expulso do partido.

O controle dos partidos políticos deveria ser rigoroso já no processo de filiação, funcionar como um filtro dos candidatos a cargos eletivos e aumentar ainda mais ao longo dos mandatos. Se o crime está, de fato, conseguindo se embrenhar com tanta facilidade no Estado, é porque, entre outras razões, os partidos têm permitido que criminosos se filiem e usem a política como blindagem e meio de ampliar poder e riqueza. (Opinião/O Estado de S. Paulo)

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