Quarta-feira, 08 de Julho de 2020

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Brasil Procurador da Operação Lava-Jato conclamou os médicos a participarem do combate à corrupção

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O convite foi feito em uma palestra para cirurgiões plásticos em São Paulo. (Foto: Vladimir Platonow/ABr)

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, a convite da ala paulista da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) palestrou no primeiro dia de uma

jornada que discute o mercado das operações estéticas. Lá defendeu o legado da operação que toca há três anos e já pôs na cadeia figurões como Eduardo Cunha e Marcelo Odebrecht.

Lá pelo meio de sua exposição, combateu a ideia de uma Lava-Jato seletiva contra “partido A ou B”. “Nós antes éramos os golpistas. Agora nós somos os golpistas dos golpistas? Eu fico confuso”, afirma, lembrando que a operação vira e mexe acusada de ser algoz do petismo atingiu outros partidos – como o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB).

Seu discurso na noite seria sobre ética no trabalho, dizia a assessoria de imprensa do evento. Na hora, Dallagnol faz um apanhado de seu recém lançado “A Luta contra a Corrupção”. O livro, que entremeia sua trajetória pessoal na Lava-Jato com uma discussão sobre a corrupção no Brasil, foi posto à venda por uma livraria, um ponto fora da curva entre tantas outras baias que promoviam acessórios para lipoaspiração e novas tecnologias do silicone.

Naquela que foi chamada de “conferência especial”, o procurador adotou a linguagem dos “nativos”. “O País está desfigurado. Precisamos de uma cirurgia reconstrutiva. Acho que vim no lugar certo para pedir ajuda”, disse a certa altura da apresentação. Outra metáfora à moda da casa: “Você já teve um paciente que se olhava no espelho e se achava mais bonito do que era?”. Pois bem, “o Brasil se olhava no espelho e se achava mais bonito do que era. A corrupção vende ilusões”.

O cirurgião plástico Rolf Gemperli o apresentou como “uma daquelas pessoas que estão preocupadas com o futuro do nosso País”. Avisou à audiência que o convidado daria “uma explicação sobre o que é Lava-Jato”. Dallagnol começou aquecendo os cerca de 1.100 ouvintes com um afago. “Gosto dos médicos porque médicos gostam da Lava-Jato.”

Num debate que se estendeu por 1h30min, o procurador comparou sua história à do Brasil, com sucessivos “fracassos no combate à corrupção”, analogia que já traçara em seu livro. Lembra de sua atuação no caso do Banestado, na primeira metade dos anos 2000. Eis o desânimo: a investigação implicou 680 pessoas e puniu apenas um punhado de colaboradores.

Contou que a escassez de resultados o levou a pensar que, das duas, uma: “Ou trabalho mal ou sou azarado”. Mas logo percebeu que a situação se repetia com vários colegas.

Desafiou o público: alguém conseguiria lembrar de réus condenados por corrupção na última instância (descartados pontos de inflexão como Mensalão e Lava Jato)? Um médico na plateia sugeriu o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, conhecido como Lalau, preso em 2000 pela participação em desvios de recursos da construção do fórum trabalhista de São Paulo. Mas Lalau, minimizou Dallagnol, ficou detido “em prisão domiciliar, que é uma prisão tipo ‘nhé'”.

A animosidade a Lula que emana da plateia foi nítida. Um doutor lamentou: a classe médica pode até ser politizada, mas é duro ouvir pacientes dizendo que na época do ex-presidente era melhor. “O povo não sabe eleger.” Outro espectador pergunta se Dallagnol tem uma “previsão real” para a prisão do petista. “Vou exercer meu direito constitucional de ficar em silêncio.” A resposta extraiu risos do público.

“Não importa se você é esquerda, direita, centro, cima, baixo, lado… Tem coisa boa para fazer com R$ 200 bilhões”, disse. É essa a quantia que, segundo ele, a corrupção drena do Brasil. Para “enfrentar grandes corruptos”, a força-tarefa montou uma “estratégia de fases” cujo “objetivo é superar o jogo Candy Crush”, brincou Dallagnol. Assim, com investigações em parcelas, “a sociedade pode acompanhar este caso quase como se fosse uma série”.

A operação apostou ainda numa estratégia de comunicação inédita, afirmou. Foram ao Jô Soares, à Globo News. Criaram um site. Deram coletivas de imprensa. Numa delas, Dallagnol se valeu de um polêmico Power Point que colocava Lula no epicentro de um megaesquema de corrupção – ele contemporizou aquele dia no livro, mas não o citou na palestra. (Folhapress)

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