Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de agosto de 2015
A PGR (Procuradoria-Geral da República) realizou uma acareação entre o lobista Júlio Camargo e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, ambos delatores da Operação Lava-Jato, para tentar comprovar o vínculo do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o esquema de corrupção da Petrobras. Os investigadores colocaram os delatores frente a frente, em junho, para saber se Camargo procurou Costa pedindo um encontro urgente com o então ministro de Minas e Energia e atual senador Edison Lobão (PMDB-MA) para tratar de requerimentos apresentados por Cunha na Câmara, que teriam o objetivo de pressionar pelo pagamento de propina do esquema.
A informação consta da denúncia contra o parlamentar, protocolada na quinta-feira no STF (Supremo Tribunal Federal) pela PGR, na qual o deputado foi acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a Procuradoria, Costa confirmou a reunião relatada por Camargo na acareação.
Conforme relatos, Camargo foi, no dia 31 de agosto de 2011 ao gabinete de Costa, no Rio, pedir a reunião com Lobão, que acabou ocorrendo naquele mesmo dia, na base aérea do aeroporto Santos Dumont, onde o então ministro iria decolar para Brasília. Na ocasião, Camargo teria reclamado a Lobão sobre dois requerimentos patrocinados por Cunha na Câmara que pressionavam empresa representada por Camargo. Segundo o relato, Lobão comentou: “Isto é coisa de Eduardo [Cunha]”, tendo ligado para o deputado, chamando-o para uma reunião. Em seguida, diante de Camargo, o ministro teria telefonado para o deputado e indagado: “Você enlouqueceu?”. Lobão também é investigado no STF por ligação com a Lava-Jato.
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