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Últimas Procuradoria-Geral da República deve negar a nova proposta de delação de Daniel Vorcaro

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Após apresentar uma nova versão da proposta, a defesa de Vorcaro realizou ajustes complementares nas informações prestadas.

Foto: Reprodução/YouTube
Após apresentar uma nova versão da proposta, a defesa de Vorcaro realizou ajustes complementares nas informações prestadas. (Foto: Reprodução/YouTube)

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também avalia rejeitar a nova proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Embora ainda não tenha tomado uma decisão definitiva, o órgão analisa os termos da segunda oferta encaminhada pela defesa.

A expectativa é que a definição ocorra nos próximos dias. Conforme revelou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a Polícia Federal já decidiu rejeitar a proposta apresentada por Vorcaro aos investigadores e à PGR na semana passada.

Mesmo sem o aval da PF, a PGR pode conduzir sozinha eventual negociação de colaboração premiada. Nos bastidores, contudo, a avaliação é de que uma manifestação conjunta dos dois órgãos seria o cenário mais adequado.

Após apresentar uma nova versão da proposta, a defesa de Vorcaro realizou ajustes complementares nas informações prestadas. A tendência, porém, é que não sejam feitos novos adendos.

Segundo investigadores, o principal obstáculo para o avanço da colaboração é a falta de elementos de corroboração dos relatos. Como está preso, Vorcaro enfrenta dificuldades para reunir documentos e provas capazes de sustentar as informações que pretende fornecer.

Um dos exemplos citados é a necessidade de apresentar documentos do próprio Banco Master para comprovar parte das acusações. A instituição está em processo de liquidação desde novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou sua intervenção e nomeou um liquidante oficial.

A obtenção dessa documentação demanda tempo e foi um dos motivos para que a PGR não descartasse a colaboração logo na primeira proposta. Outro fator considerado pelas autoridades é a necessidade de que o investigado demonstre disposição efetiva para colaborar, relatando irregularidades atribuídas a si próprio e a terceiros.

Além da comprovação dos fatos, um acordo de delação exige informações inéditas que possam abrir novas frentes de investigação, além de mecanismos de reparação financeira com devolução rápida de recursos.

As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues em 6 de maio. Integrantes da PF e da PGR, no entanto, consideraram insuficientes as informações apresentadas pelo ex-banqueiro. A Polícia Federal chegou a rejeitar a proposta, mas posteriormente retomou as negociações.

Entre os pontos que não constavam na versão inicial da delação estavam suspeitas envolvendo o senador Ciro Nogueira, posteriormente investigadas em uma das fases da Operação Compliance Zero. Embora a apuração já estivesse avançada, os investigadores avaliaram que Vorcaro deixou de relatar um tema considerado relevante.

Outro episódio ausente da proposta foi o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil, Vorcaro teria priorizado o aporte financeiro para a produção após solicitações do senador Flávio Bolsonaro.

Em 22 de maio, o advogado Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca e responsável pelas negociações da delação, deixou a defesa do ex-banqueiro após a rejeição da proposta pela PF. Permaneceu na equipe o advogado Sérgio Leonardo, amigo de Vorcaro desde a juventude.

Posteriormente, o ministro André Mendonça autorizou o retorno de Vorcaro a uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, local onde ele vinha prestando depoimentos relacionados à colaboração premiada.

Na ocasião, a defesa informou que apresentaria uma nova versão da proposta, o que ocorreu na semana passada.

PF e PGR também buscam um acordo que contemple o ressarcimento de cerca de R$ 60 bilhões que teriam sido desviados em fraudes envolvendo o Banco Master. Considerado pelas autoridades o principal responsável pelo esquema investigado, Vorcaro enfrenta exigências mais rigorosas nas negociações. Segundo dados divulgados pelas investigações, os custos decorrentes da quebra do banco já superam R$ 57 bilhões.

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