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Brasil A Procuradoria-Geral da República não vê crime de injúria eleitoral na fala do presidenciável Jair Bolsonaro sobre “fuzilar petralhada”, mas pede explicações

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Na véspera de receber uma facada, Bolsonaro convocou eleitorado a "fuzilar a petralhada". (Foto: Reprodução)

A PGR (procuradora-geral da República), Raquel Dodge, pediu ao candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, que esclareça a declaração sobre “fuzilar a petralhada”. No último sábado (1º), durante um evento de campanha em Rio Branco (AC), Bolsonaro declarou: “Vamos fuzilar a petralhada toda aqui do Acre!”.

Diante disso, a coligação O Brasil feliz de novo, da qual o PT (Partido dos Trabalhadores) faz parte, entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal), e o relator, ministro Ricardo Lewandowski, pediu um parecer de Raquel Dodge sobre o assunto (leia mais abaixo os detalhes sobre a manifestação da procura-geral).

Entenda

O PT pediu que Bolsonaro responda por injúria eleitoral, incitação ao crime e ameaça. A legenda argumenta, ainda, que durante o comício o candidato do PSL segurou um tripé como se fosse uma arma e disse: “Vamos botar esses picaretas para correr do Acre. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem que ir pra lá. Só que lá não tem nem mortadela galera, vão ter que comer é capim mesmo”, disse o candidato em um vídeo apresentado no evento.

O que diz Raquel Dodge

No parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal, Raquel Dodge diz que não há razão para Bolsonaro responder por injúria eleitoral porque o crime é específico sobre ofender alguém na propaganda. Ainda na manifestação, a procuradora-geral diz que o termo “petralhada” não personifica ninguém.

Sobre as suspeitas de incitação ao crime e ameaça, ela afirmou que é preciso avaliar melhor após esclarecimentos do deputado. “Em relação aos demais crimes noticiados na representação, para compreender o contexto e a extensão das declarações, solicito abertura de prazo para que o parlamentar representado esclareça os fatos”, afirmou Raquel Dodge. A procuradora-geral pede, então, que Bolsonaro se manifeste, caso queira, e apresente documentos para esclarecer o episódio.

“Figura de linguagem”

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) defendeu o que chamou de “figura de linguagem” ao simular uma arma com um tripé e defender “fuzilar a petralhada do Acre”. “Existe a figura de linguagem, hipérbole. Foi usado. Nada mais além disso. […] Qual o problema? Ninguém quer matar ninguém não”, disse ele, no Rio de Janeiro.

Ele se irritou quando repórteres tentaram questionar se aquele era um comportamento adequado para um candidato à Presidência. “Não vem com esse papinho de mimimi, politicamente correto que não leva a lugar nenhum. Peguei um tripé de um colega de vocês [jornalistas], simulei uma metralhadora”, disse ele.

O presidenciável já é réu em outras duas ações penais no Supremo, que tramitam em conjunto, sob a acusação de incitar o crime de estupro em um episódio em que disse à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que só não a estupraria porque ela não merecia.

 

 

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