Quinta-feira, 06 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 9 de agosto de 2015
Qualquer um que tenha feito transações financeiras com a JD Assessoria e Consultoria – empresa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, preso na segunda-feira pela Operação Lava-Jato – pode ser convocado a prestar esclarecimentos à PF (Polícia Federal). Na quinta-feira, foi a vez do cineasta Luiz Carlos Barreto.
Produtor do filme “Lula, o Filho do Brasil” e amigo de longa data de Dirceu, Barreto recebeu logo cedo um ofício assinado pelo delegado da PF Márcio Adriano Anselmo solicitando informações. No documento, a polícia pedia que Barreto esclarecesse, no prazo de cinco dias, as operações que embasaram o recebimento de valores oriundos da empresa JD. Logo abaixo, uma tabela reunia registros de transferências bancárias feitas pela empresa do petista ao cineasta de 22 de dezembro de 2009 a 27 de setembro de 2010. No total: 238.155,00 reais.
“Mandei à PF os extratos bancários da Filmes do Equador, minha produtora, mostrando que esses depósitos realmente caíram na minha conta. Em 2009, procurei Dirceu com a ideia de fazer um filme sobre a clandestinidade dele. O longa-metragem se chamaria “O homem invisível”, e nós assinamos um contrato para o desenvolvimento de um roteiro“, contou o cineasta. Mais tarde, foi sugerido que a história fosse sobre o movimento estudantil dos anos 1960 em São Paulo.
Barreto disse ter enviado à PF documentos que comprovam que mais de 80 pessoas já foram entrevistadas como parte desses projetos – ainda sem previsão de estreia.
A suspeita da Polícia Federal partiu não só dos repasses mas do fato de que, entre as empresas que patrocinaram o filme sobre Lula, estavam as empreiteiras Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS e Estre Ambiental.
Barreto diz que não se incomodou com a ação policial e elogiou o trabalho de investigação. “É um procedimento bastante rigoroso. Do ponto de vista técnico, é bastante profissional e eficaz. O lado político é que causa certo exagero. Dirceu já estava preso. Prendê-lo de novo foi redundante”, afirmou.
Em 2014, Barreto contribuiu para o pagamento da multa imposta ao ex-ministro no julgamento do mensalão.
A JD não se pronunciou. (AG)
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