Mobilização simultânea em Brasília e Porto Alegre pressiona pela votação do PL 5122/23, que pode evitar o colapso do agronegócio gaúcho.
O campo gaúcho chegou ao limite. Em uma mobilização inédita, mais de 50 produtores rurais do movimento SOS AGRO enfrentaram 2.000 quilômetros de estrada e 36 horas de viagem para chegar a Brasília. O objetivo é pressionar líderes partidários pela inclusão imediata do Projeto de Lei 5122/23 na pauta da reunião de líderes marcada para esta terça-feira, às 15h, no Congresso Nacional.
A proposta, que trata da securitização das dívidas agrícolas, tornou-se símbolo da luta pela sobrevivência de milhares de famílias que sustentam o agronegócio gaúcho. Enquanto a comitiva atua na capital federal, uma segunda frente se mobiliza na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALERGS), buscando apoio dos deputados estaduais para reforçar a cobrança junto às bancadas federais.
O campo em alerta
A crise financeira que atinge o setor é descrita como inadiável. Os prazos de prorrogação de dívidas venceram, a inadimplência se espalha e o risco de colapso ameaça propriedades em todas as regiões do estado. O movimento SOS AGRO alerta que, sem a aprovação do PL, o produtor perderá acesso ao crédito e comprometerá o plantio da próxima safra.
“Não temos mais tempo. Os vencimentos chegaram, a inadimplência já começou e o campo está gritando. Exigimos que o PL 5122 seja pautado hoje. Não é apenas uma questão econômica, é a sobrevivência de milhares de famílias que alimentam o país.” — Graziele de Camargo, produtora rural em São Sepé.
Mobilização em duas frentes
Em Brasília, os produtores buscam diálogo direto com líderes partidários e representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária. Em Porto Alegre, agricultores de municípios como Hulha Negra e Guarani das Missões se concentram na ALERGS, em um corpo a corpo com deputados estaduais. O objetivo é transformar o apoio regional em pressão política nacional.
Crise no Campo
A situação do campo gaúcho reflete um cenário de endividamento crescente, agravado por perdas climáticas e custos de produção elevados. Estimativas apontam que mais de 40% dos produtores enfrentam dificuldades para honrar compromissos financeiros, o que ameaça o abastecimento interno e as exportações.
O Rio Grande do Sul responde por cerca de 13% da produção nacional de grãos e é um dos maiores exportadores de soja, arroz e milho do país. A retração da atividade agrícola afeta diretamente o comércio local, o transporte e os serviços, ampliando o efeito dominó sobre a economia regional.
A mobilização desta terça-feira é considerada decisiva. O setor produtivo busca não apenas uma solução financeira, mas também o reconhecimento da importância estratégica da agricultura para o país. A pressão simultânea em Brasília e Porto Alegre simboliza a união de forças entre produtores, entidades e lideranças políticas em defesa da sobrevivência do campo.
Agenda decisiva
Brasília (DF): pressão direta no Congresso Nacional antes e durante a reunião de líderes, às 15h.
Porto Alegre (RS): mobilização na ALERGS ao longo do dia, com diálogo com parlamentares e entidades do setor.
O futuro em jogo
O movimento SOS AGRO define esta terça-feira como o dia decisivo para o futuro da produção agrícola nacional. A aprovação do PL 5122/23 é vista como a única saída para evitar a insolvência generalizada e garantir a continuidade das próximas safras.
Mais do que um ato político, a mobilização representa o grito de um setor que sustenta o país e que, diante da falta de resposta, decidiu transformar o desespero em ação. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
