Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de maio de 2021
Um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa (Alerj) pretende alterar a determinação que obriga o uso de máscaras enquanto o Rio de Janeiro estiver em estado de calamidade pública por conta da pandemia. A proposta do deputado Anderson Moraes (PSL), publicada nesta quarta (19) no Diário Oficial, quer autorizar as pessoas que já receberam as duas doses da vacina contra a covid-19 a não usar o equipamento de proteção individual (EPI). Especialistas criticaram a medida.
De acordo com o texto, os imunizados devem portar o comprovante de vacinação, impresso ou digital, para poderem circular sem máscara. O parlamentar justifica que quando o projeto foi feito, no último dia 14 de maio, o Ministério da Saúde contabilizava 50 milhões de doses aplicadas e 83 milhões distribuídas. Segundo ele, o Rio de Janeiro ocupava, até a data, a terceira posição entre os Eestados que mais vacinaram no País, com mais de 4 milhões de fluminenses beneficiados.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio de Janeiro tem uma população estimada de 17.366.189 de pessoas, tendo como referência 1° de julho de 2020. Especialistas alertaram sobre uma liberação precoce e os riscos que ela pode trazer à população. A presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Tânia Vergara, ressalta que as vacinas contra a doença não impedem que os imunizados não contraiam o vírus outras vezes.
“Eu entendo que liberar o uso de máscaras, só se grande parte da população estivesse vacinada. Senão, eu acho precoce e inadequado. Tem que lembrar que as vacinas não conferem proteção 100%. As pessoas mesmo tendo sido vacinadas ou tido covid-19, podem pegar outra infecção e mesmo não ficando muito doentes, podem transmitir. As vacinas que nós temos no momento têm uma proposta de evitar o adoecimento grave e o óbito”, explicou a presidente.
A médica geriatra e psiquiatra Roberta França explica que, com base nos dados estatísticos, só é possível ter a chamada imunidade de rebanho quando 70% da população estiver efetivamente vacinada. “Até lá, a gente precisa manter as nossas medidas restritivas e os cuidados necessários”, disse ela. A pesquisadora em saúde e membro do comitê de combate ao coronavírus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Chrystina Barros, afirma que, no cenário atual, o não uso do equipamento pode ser um retrocesso.
“É uma temeridade nós tentarmos avançar com esse tipo de liberação. Hoje, quando o uso de máscara é obrigatório, infelizmente, nós vemos muitas pessoas que não aderem e fiscalização deficitária em espaços compartilhados e de aglomeração. Independente de qualquer vacina, a pessoa pode ter covid-19 em sua forma leve e pode transmitir a doença. Enquanto o vírus estiver se propagando na proporção que temos, ninguém está seguro, não existe bolha perfeita e a falta da máscara pode ser um retrocesso absurdo.”
Em seu argumento, o deputado também diz que o uso de máscara é desconfortável e pode causar danos à saúde da população, se usado em longos períodos. Mas, França e Barros ressaltam que estudos provaram que o utensílio não traz qualquer risco para a população e são eficazes para evitar contaminação.
“Falar que a máscara causa problema de saúde é outra falácia. Já foi mais do que provado que a máscara não causa nenhum dano. O dano que causa, é a falta de máscara que a gente vivencia no nosso país. A máscara não tem nenhuma contra-indicação, ela pode e deve ser usada. Se fosse assim, os profissionais de saúde estariam todos mortos, pelo uso durante 10, 12, quando não, 24 horas”, esclarece a médica.
“Não existe qualquer dano à saúde pelo uso de máscara, isso já está comprovado. O uso de máscaras faz parte da rotina de várias profissões, nem por isso, são profissões que adoecem mais, muito pelo contrário. Máscaras quando bem utilizadas e indicadas, salvam vidas e neste momento se tornam uma estratégia de proteção coletiva. Máscaras podem interferir no conforto, o que se trata de uma adaptação, como o uso de qualquer roupa”, continua a pesquisadora.
O parlamentar ainda alega que os Estados Unidos adotaram a medida. Atualmente, cerca de 35% da população americana, mais de 117 milhões de pessoas, receberam a ou as doses de vacina necessárias para serem imunizados contra o coronavírus. A vacina da Johnson & Johnson é administrada em uma única injeção, enquanto as da Pfizer e Moderna requerem duas.
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