Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020

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Política Projeto promove emprego para venezuelanos no Brasil

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Chegada dos primeiros venezuelanos ao Centro Temporário de Acolhimento de São Mateus, em São Paulo.

Foto: Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil
Chegada dos primeiros venezuelanos ao Centro Temporário de Acolhimento de São Mateus, em São Paulo. (Foto: Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil)

Apesar da fronteira com a Venezuela ter sido fechada desde março deste ano por causa da pandemia da Covid-19, migrantes e refugiados continuam nos abrigos do Estado de Roraima esperando por uma oportunidade de morar no Brasil. Devido à crise política, social e econômica no país vizinho, muitos venezuelanos atravessaram a fronteira em busca de recursos até mesmo de refúgio no País. Neste sábado (20), é celebrado o Dia Mundial do Refugiado.

Nos últimos anos, a principal entrada de venezuelanos por Pacaraima (RR), seguindo depois para a capital Boa Vista. Isso motivou um acúmulo de pessoas abrigadas na região. Com o grande impacto nos serviços públicos locais, o governo federal passou a atuar, desde abril de 2018, na interiorização de refugiados para outros Estados.

Atualmente o Brasil soma 43 mil pessoas vivendo no país como refugiadas, o que garante acesso a serviços públicos de saúde e educação, por exemplo, a estrangeiros que deixaram sua pátria de origem em situações extremas. Desse total, quase 38 mil são venezuelanos. Os dados são do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), colegiado formado por membros do governo e da sociedade civil, vinculado ao MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública).

O projeto AVSI Brasil (Acolhidos por meio do trabalho, da Associação Voluntários para o Serviço Internacional), tem o objetivo de fortalecer as ações da Operação Acolhida, força-tarefa humanitária liderada pelo governo brasileiro e a Acnur (Agência da ONU para Refugiados), em Roraima. O projeto facilita a interiorização de migrantes venezuelanos para outras cidades brasileiras, onde há oportunidades de trabalho.

A AVSI consegue ajuda para imóvel e acompanhamento de um assistente social, para ajudar na adaptação local, além de orientar sobre educação financeira.

“Essa crise humanitária venezuelana é uma das maiores do mundo, já considerada pelas organizações internacionais como uma crise bastante séria. Há essa entrada muito grande de venezuelanos aqui no Brasil, obviamente existe uma pressão muito grande no estado de Roraima, que tem um PIB pequeno”, explicou Thais Braga, gerente especial do projeto na AVSI Brasil.

A entidade é responsável também pela gestão de oito dos 13 atuais abrigos da Operação Acolhida, que acomodam os migrantes e solicitantes de refúgio no Estado de Roraima. Cerca de seis mil pessoas continuam nesses abrigos e, aproximadamente, metade desta população é composta por crianças, segundo dados da AVSI.

“A AVSI atua tanto na parte da emergência lá, com atendimento de necessidades básicas, como acolhimento, alimentação, de atendimento médico, mas tem o segundo passo, que é como ajudar essas pessoas em um processo de desenvolvimento, que é o que esse projeto pretende. [Fazemos isso ao] dar melhores oportunidades, condições e apoio para poderem recomeçar a vida”, disse Thais.

Futuro

A gerente de projeto da AVSI falou das dificuldades de promover a interiorização neste momento por causa da pandemia. Antes da crise sanitária, a Operação Acolhida tinha a meta de interiorizar cerca de 3 mil venezuelanos por mês, incluindo por todas as modalidades de interiorização”, disse Thais.

Ela avalia que, apesar da desaceleração econômica, as empresas têm se sensibilizado, cada vez mais, e têm ficado mais conscientes a respeito da contratação de venezuelanos. “No longo prazo, acho que isso pode ser resgatado de alguma forma, quando a economia se reaquecer um pouco.”

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