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Mundo Protestos no Irã deixaram 43 mil mortos, diz Centro para Direitos Humanos

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Protestos começaram no dia 28 de dezembro, quando lojistas e comerciantes foram às ruas e fecharam seus estabelecimentos.

Foto: Reprodução
Protestos começaram no dia 28 de dezembro, quando lojistas e comerciantes foram às ruas e fecharam seus estabelecimentos. (Foto: Reprodução)

O Centro Internacional para Direitos Humanos no Irã informou que pelo menos 43 mil pessoas foram mortas nos protestos contra o regime do país. A análise foi feita com base em investigações realizadas, pesquisas de campo, verificação de imagens e vídeos recebidos e entrevistas com diversas fontes dentro do Irã. Os protestos começaram no dia 28 de dezembro, quando lojistas e comerciantes de Teerã foram às ruas e fecharam seus estabelecimentos.

Muitas das vítimas estavam muito desfiguradas para serem identificadas. E 69 delas foram marcadas em idioma persa como homens ou mulheres anônimas, o que sugere que sua identidade era desconhecida quando a foto foi tirada. Apenas 28 vítimas tinham etiquetas com nomes claramente visíveis nas fotos.

Etiquetas encontradas em mais de cem vítimas mostram a data da morte registrada como sendo 9 de janeiro, uma das noites mais mortíferas para os manifestantes em Teerã até o momento. As ruas da cidade foram incendiadas durante os confrontos com forças de segurança. Os manifestantes cantaram slogans contra o líder supremo do país e a República Islâmica. Seguiu-se uma convocação para protestos em todo o país, feita por Reza Pahlavi, o filho exilado do último xá do Irã.

Em pouco tempo, os protestos se transformaram em manifestações políticas e de âmbito nacional, envolvendo cidades por todo o país e amplos segmentos da sociedade. Iranianos relataram repressão violenta aos atos. O comunicado diz que, segundo testemunhas, mesmo depois de os manifestantes terem sido dispersados ​​a tiros e terem procurado refúgio nas suas próprias casas ou nas casas de terceiros, as forças de segurança continuaram a persegui-los e a disparar contra eles, ações que, em muitos casos, resultaram em mortes diretas.

Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime. As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.

A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado — o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos. A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.

O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, porém a medida não conseguiu conter a insatisfação. As manifestações mais recentes são as maiores em escala desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia da polícia religiosa, motivou os amplos protestos “Mulher, Vida, Liberdade”. Pessoas de mais de 100 cidades participaram dos atos, que começaram há quase duas semanas.

 

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