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Curiosidades Psicologia das cores: escolha cromática das roupas diz muito sobre pessoas e culturas

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Quando você escolhe a cor da sua roupa, está realizando mais do que uma escolha estética, está enviando mensagens silenciosas. (Foto: Freepik)

O amarelo da alegria, o vermelho da paixão, o verde da esperança… Para além dos significados do imaginário coletivo, cada escolha cromática feita, mesmo que inconsciente, transmite mensagens aos receptores.

Quando você escolhe a cor da sua roupa, está realizando mais do que uma escolha estética, está enviando mensagens silenciosas, que influenciam tanto como você se sente, quanto a forma como os outros te percebem. Essa conexão entre cor e comportamento é chamada de “Psicologia das cores”, e atravessa disciplinas que vão desde a psicologia à moda.

A pesquisa “Processamento neuronal: quão rápida é a velocidade do pensamento?”, publicada em 1994 na revista científica Current Biology, mostra que os neurônios podem responder a estímulos visuais em cerca de 20 a 30 milissegundos, indicando que o processamento inicial de informação visual ocorre de forma extremamente rápida no cérebro. Nesse curto intervalo, elementos como cor, forma e contraste já começam a influenciar a interpretação de quem observa, o que ajuda a explicar por que a escolha cromática de uma roupa pode impactar rapidamente a primeira impressão em uma interação social.

“A cor da roupa que você está usando influencia diretamente a primeira impressão que alguém tem de você quando entra nos lugares, o interlocutor obtém a mensagem em segundos. Se você chega, em um dia nublado, com uma roupa cinza, já passa a imagem de cabisbaixo. Mas se a pessoa chega com um amarelo vibrante, já passa a mensagem de luminosidade, alegria”, pontuou a professora de moda e consultora de imagem, Rita Quintanilha.

O estudo do círculo cromático, que é utilizado desde a escola alemã de Bauhaus, se organiza em cores primárias (vermelho, azul e amarelo), secundárias, formadas pela mistura das primárias (verde, laranja e violeta), e as terciárias, resultantes da combinação entre primárias e secundárias. A partir dessa organização, é possível compreender contrastes, harmonias e oposições cromáticas.

Dentro do círculo, tons como vermelho, laranja e amarelo são considerados quentes por evocarem calor, energia e proximidade, enquanto azul, verde e violeta são associados ao frio, à serenidade e ao distanciamento. Com base no círculo cromático, surgiram métodos de coloração pessoal, que avaliam o subtom de pele, contraste e intensidade para indicar quais paletas tendem a harmonizar melhor com cada indivíduo. Quando você escolhe cores frias para suas roupas, por exemplo, passa a mensagem de distância, introspecção.

A análise de coloração pessoal é feita por consultores de imagem que utilizam tecidos de diferentes tonalidades posicionados próximos ao rosto da pessoa. A partir da reação visual da pele, se ela parece mais iluminada, equilibrada ou opaca, o profissional identifica o subtom predominante e sugere uma paleta de cores que valorize as características naturais. Os resultados costumam ser organizados em categorias como primavera, verão, outono e inverno, cada uma associada a combinações específicas de temperatura e intensidade de cor.

Nos últimos anos, a prática ganhou popularidade nas redes sociais, onde vídeos mostram o momento em que diferentes tecidos são comparados diante do rosto de uma pessoa, revelando como pequenas variações de tonalidade podem alterar significativamente a percepção da aparência.

Quintanilha explica que moda é comunicação, as pessoas interpretam as mensagens que você quer passar com base no significado imaginário das cores.

“Para se adequar a um lugar e passar mensagens certas, primeiro é necessário que você se conheça, saiba qual é o seu estilo, seu tipo de corpo, e o que te favorece ou não. Depois, é importante que saiba qual é o dress code (código de vestimenta) daquele local. Se é uma empresa corporativa, é bom evitar cores chamativas”, alerta.

A relação entre cor e emoção é um fenômeno cultural. Em diferentes momentos da história e em distintas regiões do mundo, significados atribuídos às cores mudaram. A relação cultural e simbólica ajuda a compreender como a cor funciona como linguagem, constrói identidade e organiza sentidos sociais no vestir.

A psicologia cromática aponta diversas associações que as cores podem carregar no vestuário, que refletem no imaginário. Entre elas:

– Vermelho – presença e energia: transmite poder, confiança e até sensualidade;

– Azul – serenidade e credibilidade: tons mais claros evocam calma e frescor; tons escuros, confiabilidade e profissionalismo.

– Verde – equilíbrio e harmonia: associado à natureza, pode transmitir equilíbrio emocional e serenidade.

– Preto – elegância e autoridade: clássico da moda, é frequentemente interpretado como sofisticado, sério e profissional.

– Branco – simplicidade e pureza: transmite clareza e leveza – embora sua leitura possa variar culturalmente.

– Amarelo – otimismo e vitalidade: cores vibrantes ligadas à energia, criatividade e alegria.

Esses significados não são únicos e universais, mas refletem tendências observadas tanto no comportamento do indivíduo quanto na forma como as roupas são interpretadas socialmente. As informações são do jornal O Globo.

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