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Geral Putin corteja a China, e Biden se reúne com a Otan na véspera do primeiro aniversário da guerra na Ucrânia

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Presidente da Rússia, Vladimir Putin cumprimenta chanceler chinês, Wang Yi, em Moscou. (Foto: Anton Novoderezhkin/TASS)

A dois dias do primeiro aniversário da invasão russa na Ucrânia, o presidente Vladimir Putin recebeu, nesta quarta-feira (22), em Moscou o chanceler chinês, Wang Yi, celebrando a relação “sólida” dos dois países e o desejo de aprofundá-la ainda mais. Diante do isolamento pelo Ocidente, Moscou aposta cada vez mais na aproximação com uma pragmática Pequim, que promete apresentar nesta semana uma proposta de paz para cessar o conflito.

A 1,2 mil km dali, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, encerrava sua viagem à Europa, que começou com uma visita-surpresa a Kiev. O compromisso final do democrata foi uma reunião com os líderes dos Nove de Bucareste – países do flanco oriental da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e, portanto, mais vulneráveis a agressões russas.

Vários desses países estão entre os maiores defensores do envio de armas à Ucrânia e da enxurrada de sanções contra Moscou, que almejam minar a capacidade de o Kremlin financiar sua invasão. Para amortecer o impacto das medidas, Putin olha cada vez mais para Pequim, inclusive como destino de exportações que antes iam para a Europa.

No início de sua fala durante a reunião com Wang, Putin disse que as trocas entre os países podem chegar a US$ 200 bilhões neste ano, em comparação com US$ 185 bilhões no ano passado. Pediu ainda para o chanceler transmitir suas saudações para o “amigo” Xi Jinping:

“Tudo está progredindo, se desenvolvendo. Estamos atingindo novas fronteiras”, disse Putin, completando que espera receber Xi para uma visita nos próximos meses, algo ainda não confirmado por Pequim. “E, acima de tudo, estamos falando, claro, sobre assuntos econômicos.”

Dilema para a China

A guerra é uma questão difícil para os chineses, que têm buscado se posicionar de forma neutra, mas fornecem apoio diplomático a Moscou. Os EUA disseram na semana passada que acreditam que a China avalia o envio de armas para os russos, algo negado por Pequim.

Para Xi, o Kremlin é um aliado-chave contra o que considera um cerco ocidental a seus interesses estratégicos, em especial na Ásia, e no desejo de fazer frente à hegemonia americana com a defesa de uma ordem multipolar. Também prioriza evitar sanções e preservar os laços econômicos com o Ocidente, algo que demonstrou na viagem que fez pela Europa nos últimos dias.

“A atual situação internacional é de fato crítica e complexa, mas a relação entre a China e a Rússia é sólida como uma montanha e pode resistir ao teste dos riscos internacionais”, disse Wang, afirmando que o relacionamento entre os países é “sólido como o Monte Tai”, uma famosa montanha chinesa, e não será prejudicado por pressões internacionais.

Em um comunicado, os chineses afirmaram que a dupla “discutiu profundamente sobre a questão ucraniana” e que a Rússia está disposta ao “diálogo e negociação”. No fim de semana, disseram que irão apresentar nos próximos dias uma proposta de paz, cujos elementos já foram mostrados ao chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba.

Pouco após o encontro com Wang, contudo, Putin fez um discurso no Estádio Lujniki, em Moscou, para celebrar o Dia dos Defensores da Pátria, comemorado na quinta-feira. Nele, não deu sinais de que há trégua à vista:

“Quando estamos unidos, ninguém é igual a nós”, disse ele durante o evento, que tocou músicas de exaltação à vitória na Segunda Guerra Mundial e ao conflito na Ucrânia.

Biden na Polônia

A fala foi rápida, um dia após ao longo discurso anual sobre o estado da união, em que anunciou a suspensão da participação de Moscou no tratado de desarmamento nuclear Novo Start, último acordo desse tipo com os Estados Unidos. A decisão russa, disse Biden em Varsóvia, foi “um grande erro”.

Durante sua reunião desta quarta com os Nove de Bucareste – Bulgária, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, República Tcheca, Romênia e Eslováquia –, Biden reafirmou o compromisso dos EUA com o grupo. Aos pares, ele prometeu proteger “cada centímetro” da Otan, a aliança militar encabeçada por Washington.

“Vocês estão na linha de frente da nossa defesa coletiva”, disse o americano aos outros presidentes no início do encontro. “E vocês sabem mais que qualquer um o que está em jogo neste conflito. Não só para a Ucrânia, mas para a liberdade das democracias pelo mundo.”

A pedra angular da Otan é seu Artigo 5, que consagra o princípio de defesa coletiva da aliança: o ataque a um membro é um ataque a todos. Alguns dos países que recebem o aceno de Biden temem que sejam os próximos no alvo de Putin caso o Kremlin seja bem-sucedido em sua invasão.

“O compromisso dos EUA com a Otan (…) é absolutamente claro. O Artigo 5 é um compromisso sagrado que os EUA fizeram. Defenderemos literalmente cada centímetro da Otan, cada centímetro da Otan”, afirmou o americano. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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