Domingo, 05 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 4 de abril de 2026
Para Adriana Schneider, fundadora e CEO da consultoria Humanare, os trabalhadores devem se posicionar como autores na era da inteligência artificial (IA) e ter senso crítico para manter o controle da própria narrativa. “Quando delegamos a capacidade de pensar a uma máquina, só reproduzimos o que ela pensou. Nós é que nos tornamos robotizados”, afirma.
Segundo ela, os jovens são os mais vulneráveis a se deixar levar por IAs e, por isso, incentiva que todos aprendam sobre essa tecnologia, que estará cada vez mais presente no dia a dia das empresas.
Adriana, também curadora do palco Humanare no São Paulo Innovation Week, lembra ainda que não devemos nos deixar levar por relações fictícias com IAs, mantendo o foco nas relações humanas reais. O festival é uma realização do Estadão, em parceria com a Base Eventos – assinantes podem comprar ingressos com 35% de desconto ( acesse o QR Code no fim deste texto). O SPIW será realizado entre 13 e 15 de maio, na Mercado Livre Arena Pacaembu e na Faap.
A especialista também afirma que o retrocesso global observado na adoção de programas de ESG nas empresas mostra quais iniciativas eram genuínas e quais existiam apenas por formalidade.
Diante da nova realidade trazida pela IA, como o humano deve se posicionar nas empresas?
Como autor. O ser humano não vai se sentir ameaçado se construir o próprio repertório, se souber ter uma base ao usar a IA e se desenvolver pensamento crítico sobre o que está sendo proposto. Assim, cria-se uma parceria de pensamento. Quando delegamos a capacidade de pensar a uma máquina, só reproduzimos o que ela pensou. Nós é que nos tornamos robotizados. Os jovens profissionais correm mais risco, pois ainda não têm experiência de vida nem um repertório muito profundo. Mas o uso da IA nos negócios é irreversível. Precisamos nos letrar nessa nova relação.
Como garantir que a inteligência artificial não atropele a inteligência emocional? A IA coleta informações criadas por nós e responde da forma mais lógica e concisa possível, o que exige menos esforço. Há, porém, um aspecto que não é necessariamente lógico nem conciso: a dimensão das emoções. Os pensamentos guiam nossas emoções e ações. Portanto, falar de habilidades socioemocionais e de inteligência emocional sem considerar que cada indivíduo é único é muito perigoso. Inclusive, há vários relatos de codependência com a inteligência artificial, como no filme Ela ( estrelado por Joaquin Phoenix). Muitas pessoas fazem terapia com IAs. Precisamos de relações mais próximas entre as pessoas. Para que a IA não atropele a inteligência emocional, é necessário reconhecer que as relações humanas são mais prioritárias do que as relações com máquinas.
A pauta ESG tem sido desafiada nos últimos anos. Os EUA descontinuaram iniciativas ligadas a temas ambientais e sociais, o que tende a influenciar outros países
“O ser humano não vai se sentir ameaçado se construir o próprio repertório, se souber ter uma base ao usar a IA”
“Para que a IA não atropele a inteligência emocional, é necessário reconhecer que as relações humanas são mais prioritárias do que as relações com máquinas”
Como as empresas brasileiras devem navegar nesse cenário?
Acho que elas já estão lidando com isso. A pauta, de certa forma, retraiu-se. Os investimentos diminuíram não só no Brasil, mas também na Europa, onde eram mais avançados. Há empresas que adotaram a agenda ESG para fortalecer a marca empregadora, essas reduziram investimentos. E há aquelas com iniciativas de propósito genuíno, com ações que não existem apenas para preencher relatórios. O letramento já não é a questão; as pessoas já estão letradas em ESG. O que importa é o que se faz depois. Nesse momento de crise, ao se questionarem as ações, fica evidente quem se mantém firme, quem aumenta o investimento e quem usa a situação como justificativa para cancelar modelos de governança e até áreas inteiras de sustentabilidade ou diversidade.
Como garantir que a inovação e a agenda ESG coexistam nas empresas?
Elas não apenas coexistem, como se apoiam. Acredito em tecnologias humanas. A inteligência artificial também pode dialogar com a inteligência ancestral. A tecnologia mais perfeita do mundo é a natureza, que oferece respostas para muitos desafios. Quanto mais nos voltamos para inovações orgânicas, que atendam às necessidades humanas, mais percebemos que não se trata de caminhos opostos, mas de possibilidades de convergência.
A pessoa deve assumir, com intencionalidade, no mínimo, a autoliderança e a autorresponsabilidade. Para mim, protagonismo, autoliderança e autorresponsabilidade são sinônimos. Trata-se de reconhecerse como parte do problema para poder fazer parte da solução. Se o problema é apenas do líder ou do político, então o poder está com eles. Quando me reconheço como parte, preciso agir. Essa postura de protagonismo nasce da inquietude por viver melhor e independe do cargo. É importante desenvolver três características: autoconsciência, para ter um olhar reflexivo sobre si mesmo e compreender gatilhos e talentos; autorresponsabilidade; e automotivação. Com informações do portal Estadão.
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