Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de setembro de 2018
O deserto de Sonora é um bom lugar para testar o que voos sem escala ultralongos causam no corpo humano. Companhias de aviação e cientistas estão estudando os efeitos de passar 20 horas ou mais em uma cabine árida e em altitude elevada. E estão começando a mudar tudo, da comida à iluminação e temperatura da cabine, para combater a desidratação, o “jet lag” e os efeitos sedentários de ficar amarrado ao assento assistindo a filmes sem parar por um dia inteiro.
A Singapore Airlines está trabalhando com especialistas em saúde e nutrição do spa Canyon Ranch, no deserto de Sonora, a fim de desenvolver novos menus e programas de wellness para os voos em sua rota de 15 mil quilômetros sem escalas entre Newark, Nova Jersey, e Cingapura, que será lançada em outubro e se tornará a rota aérea comercial mais longa do planeta. A companhia também vai adotar o programa de wellness para voos longos em suas rotas para San Francisco e Los Angeles.
As batatas estão fora, e a couve-flor está dentro. As bebidas serão selecionadas não só para melhorar a hidratação mas para promover idas ao banheiro, e assim garantir que as pessoas se levantem e se movimentem, estimulando o fluxo sanguíneo e alongando os músculos.
Mesmo os tamanhos das porções estão sendo reavaliados. “O passageiro está relativamente inativo, e portanto não precisa de tanta comida para se manter bem por 19 horas”, diz Antony McNeil, diretor de comida e bebida da Singapore Airlines.
As pessoas fazem viagens ao outro lado do mundo já há décadas, tipicamente com escalas para trasbordo ou reabastecimento em outro continente. Mas o crescimento da indústria do transporte aéreo nos últimos anos tem vindo de voos ultralongos sem escalas. Aparelhos mais novos como o Boeing 787 e o Airbus A350 têm o alcance e o baixo custo operacional necessários para conectar cidades distantes diretamente.
Em 2008, a distância média mundial de uma viagem aérea era de 1.200 quilômetros. Agora é de 1.388 quilômetros, uma alta de 16%, de acordo com a consultoria Oliver Wyman’s PlaneStats.com.
Cerca de um ano atrás, a Qantas Airways lançou o Project Sunrise, um esforço para preparar os voos sem escalas que ela planejava lançar entre Sydney e Londres e entre Sydney e Nova York. A empresa recorreu à Universidade de Sydney para estudar os efeitos de longos períodos de viagem em altitude elevada, e convenceu a Boeing e a Airbus a lhe entregarem cada qual um avião com alcance suficiente para dar meia volta ao mundo sem escala.
A Qantas já está se expandindo para além da rota Sydney-Dallas, que por algum tempo foi a mais longa das rotas mundiais de aviação em termos de quilometragem. A empresa lançou voos sem escalas entre Perth e Londres, uma viagem de 17 horas, em março, operados pelo Boeing 787.
Para descobrir mais sobre os passageiros em voos longos, a Qantas buscou voluntários entre seus passageiros frequentes, e pediu que usassem monitores nos pulsos e nas pernas. O resultado é que existe grande variação entre os movimentos dos passageiros. Alguns são ativos, e outros se mantêm sedentários por toda a viagem.
Já estão acontecendo mudanças, como postergar o jantar nas partidas noturnas de Perth, para começar a alterar o relógio do organismo do passageiro para o fuso de Londres.
Quando é hora de dormir, as luzes da cabine são vermelhas e âmbar, o que facilita o repouso. Luzes azuis e brancas ajudam o passageiro a despertar.
Os comissários de bordo agora ajustam a temperatura da cabine de forma a facilitar o sono. Temperaturas mais frias ajudam o organismo a se desligar.
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