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Rio Grande do Sul Quase 70 hospitais gaúchos começam a receber medicamentos do “kit intubação”

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Governo do Estado e Ministério da Saúde compram medicamentos para hospitais que atendem SUS e estão com estoques críticos.

Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini
Operação conta com o apoio logístico de unidade do Exército em Nova Santa Rita. (Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini)

Conforme anunciado recentemente, nesta terça-feira (6) a Secretaria Estadual da Saúde (SES) começa a distribuir quase 93 mil unidades do chamado “kit intubação” para utilização em pacientes internados em estado grave por coronavírus nas unidades de terapia intensiva (UTIs) de 69 hospitais gaúchos com atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Cada conjunto possui sedativos e bloqueadores neuromusculares para o procedimento de ventilação mecânica. Desta vez, a lista inclui 39.825 frascos de atracúrio, 11.415 de cisatracúrio, 22.630 de midazolam e 18.929 de rocurônio. Para otimizar a entrega, produtos semelhantes ou com o mesmo efeito estão sendo partilhados a instituições diferentes.

O midazolam será distribuído para 46 hospitais com leitos de UTI pelo SUS e deve proporcionar cobertura mínima para quatro dias de consumo. Os outros medicamentos – bloqueadores neuromusculares – serão distribuídos a 58 instituições, prevendo cinco dias de consumo.

“É imprescindível este movimento do governo do Estado e do Ministério da Saúde para nos ajudar com esses medicamentos, pois nossos estoques estão críticos”, ressalta o administrador do Hospital de Caridade de Carazinho (Região Noroeste), Felipe Sohne.

A instituição já recebeu um lote dos insumos na semana e agora é contemplada com uma nova remessa. “Em virtude da alta demanda, não só aqui mas em todo o País, os fornecedores não estão conseguindo suprir todas as nossas necessidades”, acrescenta. “A quantidade que recebemos dá alguns dias de folga para a indústria produzir mais.”

Já no Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo (Região Norte), o superintendente-executivo Ilário de David relata que a instituição depende destes medicamentos entregues pelo poder público:

“Todas as manhãs fazemos a contagem de estoque e não foram constatadas situações de falta, porém estamos trabalhando no limite. Somos um polo regional e temos 100%¨de ocupação em nossos 70 leitos de UTI, 40 deles para pacientes de covid. Nossa preocupação é minuto a minuto”.

Divisão

O novo lote foi enviado pelo Ministério da Saúde e os critérios de divisão são de competência da Secretaria Estadual da Saúde. Já o armazenamento e distribuição contam com o auxílio do Exército: os itens são separados e armazenados no 3º Batalhão de Suprimento, em Nova Santa Rita (Região Metropolitana de Porto Alegre), e depois distribuídos pelo 3º Grupamento Logístico.

Conforme o diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica da SES, Roberto Schneiders, trata-se de uma quantidade importante mas ainda pequena frente à necessidade. “Estamos fazendo todos os esforços de competência do Estado para seguirmos abastecendo a rede, a fim de garantir conforto aos pacientes nesse momento difícil”, salienta.

A responsabilidade pela compra desses medicamentos é das instituições hospitalares, não fazendo parte da rotina da Assistência Farmacêutica do Estado. No entanto, frente à dificuldade de aquisição no país e ao aumento da demanda desde o ano passado, em caráter excepcional os governos estadual e federal se articularam para fazer a compra e distribuição.

Controle

Segundo a diretora do Departamento de Gestão da Atenção Especializada, Lisiane Fagundes, o rateio foi realizado com base em um acompanhamento semanal junto à rede hospitalar e de pronto-atendimentos. Nesse sistema, as próprias instituições declaram a quantidade em seus estoques.

O governo do Rio Grande do Sul admite que a rede hospitalar sofre escassez desse tipo de produto desde julho de 2020. Motivo: a pandemia de coronavírus.

Por esse motivo, tanto a SES quanto o Ministério da Saúde já adquiriram lotes nos mercados nacional e internacional. Somente no ano passado, foram distribuídos cerca de 150 mil frascos, ao passo que desde janeiro de 2021 o número é de 225 mil.

(Marcello Campos)

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