Segunda-feira, 07 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de janeiro de 2026
O que leva um país a determinar a cor dos carros que circulam nas ruas, manter um toque de recolher permanente e controlar quase totalmente a vida pública, inclusive para quem está apenas de passagem? Essa é a realidade do Turcomenistão, na Ásia Central, frequentemente comparado à Coreia do Norte pelo nível de isolamento e pelas restrições impostas pelo Estado.
Governado com poder absoluto desde 2022 por Gurbanguly Berdimuhamedow, ex-dentista que antecedeu o filho Serdar no comando do país, o Turcomenistão mantém um regime altamente centralizado. Limitado por Cazaquistão, Afeganistão, Uzbequistão, Irã e pelo Mar Cáspio, o país tornou-se independente da União Soviética em 1991 e possui grandes reservas de gás natural. A população é estimada em cerca de 5,6 milhões de habitantes, segundo a BBC.
Na capital Ashgabat, as normas chamam atenção até de viajantes experientes. Um toque de recolher às 23h, adotado durante a pandemia, segue em vigor sem anúncio oficial de suspensão, de acordo com o site Lad Bible. Desde 2018, apenas carros brancos podem circular na cidade. Redes sociais são proibidas em todo o país, e turistas enfrentam restrições severas sobre o que podem fotografar. A imprensa é controlada pelo Estado, e veículos estrangeiros não têm permissão para atuar.
Apesar das limitações, Ashgabat impressiona pelo visual. Monumentos grandiosos, edifícios revestidos de mármore branco, esculturas douradas, fontes e avenidas impecavelmente limpas compõem um cenário que muitos descrevem como surreal. Embora a cidade tenha cerca de 941 mil habitantes, áreas centrais costumam parecer vazias, reforçando a sensação de um espaço quase cenográfico.
Um desses relatos ganhou destaque nas redes internacionais após o viajante Pandhu Waskitha visitar a capital e compartilhar imagens no TikTok (@backpackertampan). Ele descreveu o local como “uma das cidades mais singulares e misteriosas do mundo”, citando o “mármore branco surreal, os monumentos dourados e as ruas quase vazias”. “Projetada em grande escala e simetria, Ashgabat parece saída de um filme – futurista, elegante e diferente de qualquer outro lugar”, escreveu.
Para quem deseja visitar o país, o processo é rigoroso. Os turistas precisam de passaporte válido por ao menos seis meses após a data de saída e de um visto obtido com base em uma carta-convite, geralmente emitida por agências de viagem.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, viagens de negócios exigem convites formais de ministérios ou empresas locais, e erros no tipo de visto ou no prazo de permanência podem resultar em processos ou prisão. Após a carta-convite, o visto pode ser solicitado na embaixada ou emitido na chegada por algumas fronteiras e no Aeroporto Internacional de Ashgabat. As informações são do jornal O Globo.
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