Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020

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Bem-Estar Quase metade dos fumantes brasileiros quer deixar o cigarro. O País lidera o ranking de interessados em largar o vício

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Preocupação com a saúde está entre os principais motivos. (Foto: Reprodução)

Quase a metade dos fumantes brasileiros diz querer largar o cigarro, mas seus esforços ainda esbarram na tentação provocada pelo marketing dos produtos e na demanda por mais programas de aconselhamento e apoio à cessação do vício na rede de saúde pública, sugere a terceira edição de pesquisa global de projeto sobre o controle do tabagismo divulgada pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer José Gomes Alencar).

A proporção de brasileiros que afirmou planejar parar de fumar em um prazo de seis meses (49%) é a maior registrada nos 28 países onde o novo levantamento do Projeto Internacional de Avaliação das Políticas de Controle do Tabaco (Projeto ITC) foi realizado e onde vivem dois terços dos fumantes do planeta. A principal motivação apontada para largar o vício (68%) foi a preocupação com a própria saúde, seguida de dar exemplo às crianças (66%), da preocupação com os efeitos gerados pela fumaça na saúde de não fumantes próximos (51%) e do preço dos cigarros (50%).

“Houve uma mudança na aceitação social do ato de fumar, que era bem-visto e amplamente estimulado no Brasil entre as décadas de 1970 a 1990”, avalia Tânia Cavalcante, secretária-executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco, tratado internacional proposto em 1999 pela OMS (Organização Mundial da Saúde) com uma série de iniciativas com o objetivo de reduzir e restringir o consumo de cigarros e outros produtos do tipo da qual o País é signatário.

Propaganda

A pesquisa, no entanto, também mostra que o Brasil ainda não conseguiu banir por completo a propaganda dos produtos como requer a Convenção-Quadro, o que pode dificultar as tentativas de parar de fumar dos viciados, além de continuar a trair novos consumidores, especialmente crianças e jovens. Aqui, apesar de a publicidade do tabaco ser proibida nos meios de comunicação desde 2000, ela ainda está presente nos pontos de venda na forma de iluminados, coloridos e atrativos displays, e a indústria tabagista pode realizar atividades promocionais e patrocinar eventos culturais e esportivos expondo as suas marcas.

Assim, 32% dos fumantes brasileiros afirmaram terem notado “frequentemente” ou “muito frequentemente” coisas que os estimulam a fumar nos seis meses anteriores ao questionário, de longe a maior proporção registrada nos 28 países participantes do projeto, com o segundo lugar, a Holanda, alcançando apenas pouco mais da metade deste índice (17%). Diante disso, 72% dos fumantes brasileiros, e 86% dos não fumantes, apoiam a proibição total dos displays de cigarros nas lojas, muitas vezes instalados junto a doces e outras guloseimas, chamando a atenção também de crianças, criticam os autores da pesquisa.

E o combate à propaganda se faz ainda mais necessário diante do relativamente baixo impacto dos alertas sobre os malefícios do fumo impressos nos maços de cigarros. Ainda de acordo com a pesquisa, apenas 48% dos fumantes brasileiros relataram terem notado “frequentemente” ou “muito frequentemente” as advertências no mês anterior, e menos ainda, 36%, responderam que estes avisos os fizeram pensar “muito” sobre os riscos à saúde do tabagismo.

Assim, segundo os especialistas, também se faz urgente levar para a frente dos maços as imagens, muitas vezes chocantes, dos males e consequências do tabagismo. Em países que fizeram isso, como a Nova Zelândia, Ilhas Maurício e Tailândia, o nível de percepção destes alertas dispara para 71%, 80% e 83%, respectivamente.

“No Brasil, como a gente ainda não tem a proibição total da publicidade do tabaco, o maço e o display viraram o último esteio de marketing dos produtos da indústria do tabaco”, destaca Vera Luiza da Costa e Silva, chefe do secretariado da Convenção-Quadro da OMS, para quem esta politica deve culminar com a implantação de embalagens padronizadas para os cigarros, eliminando os designs de marcas e deixando praticamente apenas as advertências e imagens associadas, o que também deverá ter um grande impacto no desenho dos próprios displays.

Já com relação ao apoio para que consigam parar, os fumantes brasileiros até ouvem bastante conselhos neste sentido na comparação com os de outros países, mas o suporte oficial não vai muito além disso. De acordo com o levantamento, 39% dos fumantes relataram ter visitado um médico nos seis meses anteriores, dos quais 67% (e 25% do total de fumantes) foram aconselhados por ele a parar de fumar. Mas enquanto 82% contaram ter recebido panfletos e outras publicações sobre como deixar de fumar, só 40% ouviram orientações de como realmente fazê-lo, 28% receberam indicações de procurar serviços especializados para tanto e 12% prescrições de medicamentos para parar de fumar.

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