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Política Quase metade dos ministros de Lula sairá para disputar eleição; plano do governo é que os substitutos sejam os atuais secretários-executivos

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Presidente Lula definiu a estratégia para evitar que haja uma quebra no ritmo de entregas de obras e projetos. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ganhar uma nova cara a partir de abril com a saída de ministros que vão disputar a eleição. O plano definido no Palácio do Planalto é que a maioria dos substitutos sejam os atuais secretários-executivos das pastas, que, em geral, possuem um perfil mais técnico do que político. A tendência é que quase metade da Esplanada passe por mudanças.

Lula definiu a estratégia para evitar que haja uma quebra no ritmo de entregas de obras e projetos, o que poderia gerar uma paralisia do governo em um ano em que o presidente precisa elevar a sua popularidade para disputar a reeleição.

“Eu sei que tem uma enxurrada de ministros que vai sair, acho que pelo menos 18. Não vou impedir ninguém de sair, vou apenas torcer”, disse Lula, durante café da manhã com jornalistas em meados de dezembro.

Esse número pode chegar a 22. O presidente ainda revelou a intenção de conversar com os auxiliares que estão de partida. Os primeiros a puxar a fila devem ser os titulares da Fazenda, Fernando Haddad, e da Justiça, Ricardo Lewandowski. O chefe da equipe econômica revelou que já conversou com o presidente sobre a sua saída. Dias depois, disse que deve se despedir do cargo já em fevereiro.

Já Lewandowski manifestou em conversa com Lula no dia 23 de dezembro que considera que a sua missão no governo já foi cumprida. Nenhum dos dois pretende disputar a eleição. O plano de Haddad é colaborar com a campanha à reeleição de Lula. Mas o próprio presidente já afirmou publicamente que gostaria que o ministro da Fazenda fosse candidato em São Paulo. O PT pressiona para que ele dispute o governo do estado ou o Senado. Haddad trabalha para que a pasta fique sob o comando do seu número 2, o secretário-executivo Dario Durigan.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também terá que deixar o Ministério da Indústria e Comércio, caso dispute a eleição em São Paulo, como defende uma parte do PT, ou seja mais uma vez parceiro de chapa de Lula. O secretário-executivo Márcio Elias Rosa, ex-procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, pode assumir a pasta.

Ajustes 

Entre os ministérios que funcionam dentro do Palácio do Planalto, também estão previstas mudanças na Casa Civil e na Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Rui Costa, titular da primeira pasta, deve deixar o cargo em abril para concorrer ao Senado pela Bahia. A expectativa é que o cargo fique com a também secretária-executiva Miriam Belchior, que foi ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff.

Já a chefe da SRI, Gleisi Hoffmann, deve tentar um novo mandato pelo Paraná. O seu substituto ainda está indefinido. Uma das possibilidades é Lula promover o secretário-executivo, o diplomata Marcelo Costa.

Há possibilidade ainda de o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, deixar o cargo para comandar o marketing da campanha de Lula à reeleição.

Fora do Planalto, também são consideradas certas as saídas dos ministros Marina Silva (Meio Ambiente), Simone Tebet (Planejamento), Jader Filho (Cidades), Waldez Goés (Integração Nacional), Renan Filho (Transportes), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Wolney Queiroz (Previdência), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), André Fufuca (Esporte), André de Paula (Pesca), Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Anielle Franco (Igualdade Racial).

Desses, Renan Filho (MDB) é o único que deve concorrer a governador. O ministro dos Transportes tentará voltar ao comando de Alagoas, estado que já dirigiu entre 2015 e 2022. Marina, Tebet, Waldez, Fufuca e Costa filho podem disputar uma vaga no Senado. Os demais têm planos de se elegerem deputados.

O futuro político de Marina e de Tebet são os que mais dependem de Lula. O presidente deve participar das discussões que vão definir se a atual ministra do Meio Ambiente será candidata ao Senado em São Paulo. Caso esse caminho não se viabilize, Marina, que é deputada licenciada, deve tentar renovar o seu mandato.

Para concorrer, ela pode ser obrigada a mudar de partido, já que o seu grupo na Rede Sustentabilidade está em guerra com o de Heloísa Helena, uma das porta-vozes (cargo equivalente ao de presidente) da legenda. O mais cotado para substituir Marina no Ministério do Meio Ambiente é o atual secretário-executivo João Paulo Capobianco, que tem uma longa trajetória na pasta e na militância na área ambiental.

No caso de Tebet, há possibilidade de a ministra do Planejamento disputar o Senado pelo Mato Grosso do Sul, seu estado de origem, ou São Paulo. A decisão deve ser tomada no primeiro semestre. A expectativa é que o também secretário-executivo Gustavo Guimarães assuma o cargo.

Um auxiliar de Lula com assento no Palácio do Planalto diz que quase todos os ministérios devem ficar com os atuais secretários-executivos. (Com informações do jornal O Globo)

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