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Brasil A queda da taxa básica de juros deve ajudar as empresas brasileiras a saírem da crise

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Operador acompanha o mercado na bolsa. (Foto: Reuters)

 

Após dois anos de recessão, as empresas brasileiras começam a sair do seu pior ponto e a apresentar resultados melhores. O principal motivo para a recuperação dos resultados é a queda de juros, mas aos poucos elas começam também a ter melhoras do ponto de vista operacional. Levantamento do Santander mostra que mesmo com a crise política, que coloca uma nuvem de incerteza sobre a recuperação da economia brasileira, o crescimento do lucro por ação deve ficar em 10% nesse segundo trimestre, e com um número maior de empresas apresentando expansão das margens (57% das empresas acompanhadas, ante 53% no trimestre anterior).

“Estamos em um ponto de inflexão e a cada trimestre vamos ver uma melhora gradual. Não vamos ver um grande movimento de recuperação, mas a queda dos juros já começa a ter impacto e hoje o Brasil é o país emergente com o melhor ciclo de lucro”, avaliou Daniel Gewehr, estrategista do Santander.

Esse ciclo de lucro está calcado na queda dos juros, que faz com que as despesas financeiras das empresas fiquem menor e assim elas comecem a gerar resultados melhores. No entanto, também já é possível ver uma melhora no crescimento das receitas.

Para Gewehr, as empresas vão começar a colher os frutos dos ajustes feitos nos últimos anos. Como exemplo, o estrategista citou a Weg, que teve um crescimento forte na margem bruta. Isso porque fez uma redução dos seus custos, inclusive com demissões, nos últimos anos.

“Os economistas ficam muito focados no crescimento do PIB, mas como estamos em um ciclo de desalavancagem, o lucro das empresas vai crescer mesmo assim”, avaliou, lembrando que enquanto boa parte do ano passado a Selic estava em 14,25% ao ano, neste ano deve terminar em torno de 8%.

Para o ano que vem, ele espera uma expansão nos lucros por ação de 24%.

Um desses casos é o da Localiza, que registrou um lucro líquido de R$ 129 milhões no segundo trimestre, alta de 12,9% na comparação com igual período. Já a receita cresceu para R$ 1,3 bilhão, uma alta de 39,7%. No caso da Renner, o lucro também teve um crescimento de dois dígitos, com expansão das receitas. O lucro ficou em R$ 193,6 milhões, alta de 10,7%. Já a receita teve expansão de 8,4%, a R$ 260,6 milhões.

Laurence Gomes, diretor de Relações com Investidores da Renner, afirmou que apesar das incertezas da crise política, os consumidores continuaram comprando.

As vendas ficaram dentro do esperado e não sentimos nenhum impacto em relação a essa crise política. O nosso problema foi a temperatura mais alta – disse Gomes, se referindo ao mês de maio, quando as temperaturas acima da média afetaram as vendas da coleção de inverno.

O analista de investimentos independente Pedro Galdi também vê uma melhora nos resultados.

“A dívida está diminuindo, o que melhora o resultado financeiro. Algumas empresas também estão com Ebitda (geração de caixa operacional) mais forte. Vamos começar a ver essa melhora nas indústrias e varejo”, avaliou. (AG)

 

 

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