Sexta-feira, 29 de maio de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
20°
Mostly Cloudy

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde Queimaduras na pele, perda de cabelo, infecção de cutículas: os efeitos inesperados dos tratamentos de beleza

Compartilhe esta notícia:

Inflamação em uma unha gerou um prejuízo de cerca de 20 mil reais a uma cliente, que processou o salão. (Crédito: Reprodução)

Uns pelinhos na barriga incomodavam Thabata Ribeiro de Andrade, 27 anos. Em julho do ano passado, ela entrou em uma clínica de estética para uma sessão de depilação a laser na linha do abdômen. Saiu de lá com várias queimaduras na pele, incluindo bolhas que deixaram em carne viva a tatuagem que tinha na região. Seguiram-se cinco meses de tratamento, durante os quais ela não pôde fazer exercícios e teve de escolher com cuidado as roupas. A tatuagem precisou ser refeita e, depois de tudo, ainda sobraram marcas na pele, que ficou meio enrugada.

A clínica chegou a pagar por atendimento médico, mas Thabata acabou procurando outro profissional. E abriu um processo na Junta Especial Cível, que lhe deu o direito de receber 5 mil reais de indenização por danos morais. Segundo ela, a empresa depositou 30% do valor em juízo, mas quer parcelar o restante em seis vezes, alegando que não tem dinheiro.

Esse é um caso que ilustra os traumas ocorridos na busca pela beleza, devido à falta de preparo dos profissionais para realizar os procedimentos e ao uso de produtos inadequados, que acabam nos tribunais.

No Rio Grande do Sul, a Justiça condenou recentemente um salão a pagar 8 mil reais de indenização por danos materiais e morais a uma cliente que teve quedas de cabelo depois de fazer um relaxamento.

 
“Fazer as unhas” pode se tornar um pesadelo.

 
Mas a situação pode ficar feia até em práticas rotineiras. Ir à manicure toda semana, por exemplo, é um ritual de boa parte das brasileiras, como Valéria Vilella. “Arrancaram um ‘bife’ do meu anelar esquerdo, e o resultado foi uma inflamação. Surgiu carne esponjosa que soltava uma secreção. Não dava para lavar louça, dirigir nem fazer outras atividades do dia a dia”, conta.

“Fui ao pronto-socorro três vezes. Depois, a uma dermatologista, que fez cinco sessões de cauterização. Mesmo assim, houve uma infiltração e acabei submetida a um procedimento cirúrgico. O médico chegou a alertar sobre a possibilidade de perder um pedaço do dedo”, recorda.

Entre procedimentos, pomadas, antibióticos e anti-inflamatórios, os gastos chegaram a 8 mil reais, calcula Valéria, que, na época, tentou ser ressarcida pelo dono do salão. Não teve sucesso. A dificuldade para dialogar piorou porque, com a inflamação se agravando, ela decidiu cancelar um pacote de sessões de drenagem linfática no mesmo salão de beleza, pelo qual já havia pago 1,2 mil reais. “A própria massagista avisou que eu não deveria me submeter a massagens. Então, sustei os cheques, e eles me acionaram judicialmente.”

Diante do imbróglio, a empresária recorreu à Justiça. Submeteu-se a uma perícia médica, ao custo de 4,3 mil reais. Agora, com custas judiciais e advogado, a conta do “bife” arrancado já se aproxima de 20 mil reais, conforme Valéria.

Recomendações.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informa que, para evitar problemas, o consumidor só deve aceitar ser submetido a tratamentos com produtos autorizados por ela. No caso de produtos manipulados pelo próprio salão, é preciso verificar se o estabelecimento tem autorização para realizar o procedimento e, mesmo assim, é preciso checar se as substâncias usadas são autorizadas.
O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, Nelson Rosas, explica que procedimentos como aplicações de toxina botulínica, implantes cutâneos, carboxiterapia (injeção de gás carbônico no tecido transcutâneo para melhora de circulação e oxigenação), tratamento a lasers, luz pulsada, radiofrequência, ultrassom e peelings químicos devem ser realizados por um médico habilitado. Além disso, explica, as clínicas devem, ainda, estar cadastradas no Conselho Regional de Medicina, no conselho da especialidade médica e também na Anvisa.

Em caso de problemas, o consumidor pode ir ao Procon ou diretamente à Justiça. No órgão de defesa do consumidor, vale o relato, e cabe ao fabricante do produto a responsabilidade de provar que a substância não causou o problema. Na Justiça, é possível provar o dano com uma perícia, como a usada por Valéria. Já os Juizados Especiais Cíveis não adotam as perícias. (AG)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

As meninas são mais espertas que os meninos já aos 2 anos
Atrizes de Hollywood entram em polêmica com a Anistia sobre a prostituição
Pode te interessar