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Mundo Quem é Fethullah Gülen, acusado de liderar tentativa de golpe na Turquia

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Clérigo muçulmano Fethullah Gulen vive nos Estados Unidos. (foto: reprodução)

A tentativa de golpe militar na Turquia, que teve início no fim da tarde desta sexta-feira (15), no horário de Brasília, gerou horas de tensão em várias regiões do país. O governo negou que o golpe foi bem-sucedido e trocou acusações sobre quem estaria por trás da iniciativa de remover do poder o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), entre eles o clérigo muçulmano Fethullah Gülen, uma das principais vozes da oposição. Simpatizantes de Gülen negaram seu envolvimento.

Muhammed Fethullah Gülen, fundador do Movimento Gülen
Escritor, político e um antigo imã, o clérigo Ferhullah Gülen, de 75 anos, segue uma linha moderada do islamismo, aberta a aceitar conceitos científicos e ao diálogo com outras religiões.

Ele é atualmente a principal voz internacional da oposição ao governo de Recep Tayyip Erdogan, mas, até 2013, era um dos aliados do presidente turco. A aliança entre os dois foi desfeita depois que um escândalo de corrupção atingiu o governo, e Erdogan o acusou de estar por trás das denúncias.

Segundo o presidente, Gülen construiu um “estado paralelo” dentro do governo, com influência em setores políticos, judiciário e policial.

Simpatizantes do Movimento Gülen, também conhecido como Hezmit, palavra que, em turco, significa “serviço”, negam que a tentativa de golpe desta sexta tenha as mãos do clérigo. Gülen vive desde 1999 nos Estados Unidos.

Recep Tayyip Erdoğan, presidente da Turquia
Principal figura política turca, Erdogan é presidente do país desde 2014, mas participa do governo desde 2003, quando se tornou primeiro-ministro pelo conservador Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP). Outro cargo de alta visibilidade que ele ocupou foi o de prefeito de Istambul, a principal cidade turca e porta da Europa para o país.

Recentemente, porém, o presidente tem recebido críticas internacionais por restringir liberdades civis e a expressão de vozes da oposição. A repressão se intensificou depois de março de 2014, quando o AKP venceu as eleições parlamentares, um ano depois de se envolver em um escândalo de corrupção.

Em dezembro de 2013, uma operação contra corrupção culminou na prisão de dezenas de pessoas, entre elas os filhos de três ministros de Erdogan e figuras chave do setor financeiro e imobiliário. As acusações incluem o contrabando de ouro para o Irã e o suborno para conseguir funções públicas. Quatro ministros pediram demissão. Um deles, o titular do Ministério do Ambiente, Erdogan Bayraktar, disse que Erdogan, então primeiro-ministro, deveria deixar o cargo, dizendo que ele sabia dos projetos imobiliários em questão.

Depois que Erdogan assumiu a presidênca, uma série de meios de comunicação foram fechados e pessoas que criticaram o governo publicamente têm sido presas e acusadas de traição, e sua tentativa de esmagar a oposição tem contribuído para a instabilidade política, afetada também pelos problemas econômicos e internacionais do país.

O governo também exonerou centenas de policiais em 2014, uma ação que foi, para muitos analistas, fruto da rivalidade entre o partido de influência islâmica de Erdogan e o grupo do líder islâmico. Em março deste ano, a Turquia tomou o controle do jornal “Zaman”, ligado a Gülen. (AG)

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