Domingo, 17 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de junho de 2019
Nos atos de apoio à Operação Lava-Jato e ao governo Jair Bolsonaro que ocorrem em algumas cidades brasileiras neste domingo, as convocações partiram de centenas de fontes diferentes que são menos parecidas entre si do que um olhar distante supõe. Saiba quem está por trás das manifestações em defesa de Sérgio Moro. As informações são da revista Época.
Há ao menos 200 movimentos — alguns formados por nem meia dúzia de pessoas — que, ao mesmo tempo que protestam contra a corrupção, competem por atenção entre si. Há disputas internas, rachas e até brigas por quem consegue o melhor espaço nas ruas.
Um dos mais antigos movimentos “anticorrupção” é o Revoltados On-Line. Atualmente, o grupo é claramente um apoiador do governo Bolsonaro, mas, em 2010, quando surgiu, era apenas um fórum de internet. Grande parte dos grupos em atuação nasceram em 2014, quando a Lava-jato começou, e ao longo do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. No entanto, mesmo após a saída de Dilma da Presidência da República, dezenas de movimentos continuaram sendo fundados e hoje a maioria serve de base para o PSL, o partido do presidente Bolsonaro.
A comunicação para os atos ainda envolve influenciadores digitais, muitos deles agora eleitos deputados federais que comparecem no carro de som do movimento à sua escolha. Os atos deste domingo começaram a ser divulgados três dias após as revelações do site The Intercept Brasil dos diálogos entre procuradores da Força Tarefa da Lava-Jato e o ministro Sérgio Moro. Antes mesmo do vazamento, no dia 6 de junho, alguns movimentos pequenos já haviam protocolado pedidos às autoridades para se manifestar neste dia 30 em apoio às reformas do governo Bolsonaro. Após os vazamentos, praticamente todos os movimentos se juntaram. O julgamento do pedido de liberdade do ex-presidente Lula no STF (Supremo Tribunal Federal) na última terça-feira também turbinou as convocações.
O publicitário e ativista que criou o boneco Pixuleco em 2015, Paulo Gusmão, percebeu que havia movimentos demais com pouca identidade própria. Em março deste ano, criou a ONM (Organização Nacional dos Movimentos).
Além do Vem Pra Rua — um dos maiores grupos anticorrupção do País — mais treze movimentos chamaram seus simpatizantes para comparecerem ao ato em São Paulo, segundo ata de um encontro entre os representantes dos movimentos com a Polícia Militar na semana passada. Na reunião houve discussões entre as lideranças pelo local em que cada pretendia estacionar seu carro de som. A tensão foi tanta que alguns dos participantes deixaram a reunião. Após a ata do encontro ter sido divulgada, grupos menores acusaram os maiores de terem sido privilegiados.
“Após essa reunião, a ata feita pela PM veio, para nossa surpresa, com duas localizações que não tinham sido acertadas durante a reunião”, diz Paulo Vieira, coordenador do Mobilização Brasil. A reportagem ouviu quatro pessoas presentes no encontro que confirmaram o ocorrido. Paulo e Isabella Trevisani, líder do Despertar Patriótico, cogitaram entrar com ações na corregedoria da PM. “A gente percebe que há um privilégio de certos movimentos”, resume Paulo, citando o Vem Pra Rua e o Nas Ruas.
Divergências
Os movimentos possuem também divergências sobre as pautas que devem ser defendidas. O MBL, o movimento com mais representantes eleitos e maior alcance nas redes, não compõe e não pensa em compor a ONM, e junto com o Vem Pra Rua não participou do último ato do dia 26 de maio por considerá-lo governista e radical.
O que Moro ouviu das ruas
Centenas de pessoas vestidas de verde e amarelo, portando cartazes e bandeiras com frases como “In Moro we trust” e mensagens de repúdio ao Congresso, ao “centrão” e ao Supremo Tribunal Federal se reuniram em dezenas de cidades do País.
Em Copacabana, milhares de pessoas se concentraram na altura do posto 5. Cantavam e desfilavam com camisas de apoio a Moro. O ministro da Justiça compartilhou em rede social um vídeo do ato em Copacabana. Moro escreveu na publicação: “Eu vejo, eu ouço. Apoiadores da Lava-Jato realizam manifestações em diversos Estados”. Os manifestantes foram às ruas em apoio ao ministro, à Lava-Jato e ao governo de Jair Bolsonaro.
Em São Paulo, o Movimento NasRuas, fundado pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), por exemplo, inflou um boneco de 12 metros de altura de Sérgio Moro. Com o esvaziamento de público sofrido pelo MBL e pelo Vem Pra Rua nesta volta aos protestos, o Nas Ruas manteve o protagonismo. De cima do caminhão do grupo, personalidades como Latino, Regina Duarte e Otávio Mesquita levantaram o coro por Sérgio Moro.
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