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Mundo Rastreada pela CIA, reunião de cúpula do Irã abriu chance de raro ataque durante o dia; entenda

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A imagem, capturada pela Airbus, mostra diversas estruturas destruídas ou seriamente danificadas dentro do complexo residencial do líder supremo do Irã, em Teerã. (Foto: Airbus/Soar Atlas)

A Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês) e a comunidade de inteligência de Israel vinham monitorando há meses os movimentos do alvo mais importante do principal adversário estratégico em comum: o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Em meio à escalada de tensões entre Washington e Teerã, a CIA recebeu a informação de que Khamenei teria uma reunião de cúpula com autoridades do regime teocrático em um complexo oficial em Teerã no sábado. A constatação que fez os aliados adaptarem e anteciparem planos que vinham sendo traçados a portas fechadas e lançarem o ataque à capital iraniana em plena luz do dia – uma “surpresa tática” que contribuiu para o sucesso da operação, que matou o líder da República Islâmica e alguns de seus principais assessores, segundo a imprensa oficial do país.

O ataque conjunto que resultou na morte do aiatolá revelou a estreita colaboração e a capacidade de coordenação entre as forças americanas e israelenses, bem como a adaptabilidade dos militares de ambos os países. Fontes com conhecimento dos bastidores das ações no sábado, ouvidas pela mídia americana sob condição de anonimato, detalharam o passo a passo do ataque final a Khamenei, no mais duro golpe desferido contra o regime dos aiatolás desde a sua fundação.

A CIA recebeu a informação sobre o paradeiro de Khamenei a partir de uma rede construída desde o ano passado, segundo um ex-funcionário da agência ouvido pelo New York Times. De acordo com o ex-funcionário, a fonte de informação utilizada é a mesma que fez o presidente americano, Donald Trump, afirmar que os EUA sabiam onde o aiatolá estava durante os bombardeios de junho de 2025, porém decidiram poupar-lhe a vida naquela ocasião.

Os EUA compartilharam a informação com Israel com um selo de “alta fidedignidade”. A inteligência do Estado judeu, usando suas próprias fontes, confirmou a informação sobre a reunião no sábado, e mais: recebeu confirmação de que a alta cúpula militar estaria presente no mesmo local, incluindo o ministro da Defesa iraniano, Aziz Nasirzadeh; o comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Pakpour; e o chefe do Conselho de Segurança Nacional, almirante Ali Shamkhani. Todos tiveram as mortes confirmadas por fontes iranianas no domingo.

O evento raro fez a liderança política dos dois países tomarem uma decisão definitiva: a hora de um ataque ao Irã há muito discutido havia chegado. Militares de alta patente das Forças Armadas de Israel se reuniram nos últimos meses em Washington para discutir opções para uma ação conjunta, e mais recentemente, desde o envio pelos EUA do maior poderio bélico para o Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reuniu-se com Trump para discutir uma ação decisiva contra os programas de mísseis e nuclear iranianos.

A janela de oportunidade no plano tático encontrou alinhado o momento político – uma vez que, após a última negociação diplomática entre EUA e Irã, o negociador americano, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, afirmaram ao presidente que Teerã não tinha a intenção de abrir mão de suas pretensões nucleares ou de tratar sobre as preocupações relacionadas ao seu programa de mísseis.

O ataque de sábado mostrou a adaptabilidade e o nível de integração das forças dos EUA e de Israel. O plano inicial para uma ofensiva ao Irã, desenvolvida em conjunto, previa um bombardeio noturno, a fim de minimizar os riscos de identificação. O cronograma apertado alterou o plano, que foi executado da mesma forma.

Jatos de combate armados com munições de longo alcance e de alta precisão decolaram de bases em Israel por volta das 6h (1h em Brasília) do sábado. Duas horas e cinco minutos depois da decolagem, por volta das 9h40 em Teerã (2h40 em Brasília), os mísseis de longo alcance atingiram o complexo administrativo iraniano.

Ao todo, 30 cargas explosivas foram lançadas sobre o complexo de Khamenei, que segundo os relatos estava em um prédio do complexo, enquanto os altos funcionários de segurança se reuniam em outro edifício. Além do ataque de precisão, uma grande campanha de bombardeio foi lançada sobre a nação persa. Uma fonte consultada pelo jornal americano Wall Street Journal afirmou que Israel focou em autoridades de alto valor e ligadas ao programa de mísseis do Irã, enquanto os EUA miraram neste primeiro momento a infraestrutura de mísseis e alvos militares.

Até a noite, cerca de 200 caças israelenses haviam atingido perto de 500 alvos diferentes, segundo as fontes israelenses, na maior campanha aérea isolada da história do país. Os ataques continuaram no domingo, com o anúncio das Forças Armadas de que “alvos no coração de Teerã” foram atingidos.

Fontes israelenses afirmaram que o ataque durante o dia acabou por se converter em uma “surpresa tática” que contribuiu para o sucesso da operação. Em junho de 2025, a operação americana Martelo da Meia-Noite, contra instalações nucleares do país, e os bombardeios de Israel foram lançados de forma preferencial durante a noite. As informações são dos jornais O Globo e The New York Times.

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