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Mundo Reality show sobre Ku Klux Klan é cancelado antes da estreia nos EUA

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Foto não datada mostra o pacifista Arno Michaelis (E) conversando com Chris Buckley, membro dos Cavaleiros Brancos da Georgia do Norte em cena da série "Generation KKK". (Foto: TIJAT/A&E)

A emissora norte-americana A&E (Arts and Entertainment) decidiu cancelar um reality show sobre o Ku Klux Klan (organização racista formada nos EUA no século XIX) menos de uma semana antes da estreia.

O jornal The Washington Post afirmou nesta segunda-feira (26) que um porta-voz da A&E indicou que a decisão foi tomada após a notícia que os produtores do programa, que não são funcionários da rede de televisão a cabo, tinham efetuado pagamentos para “garantir” acesso aos participantes do grupo racista. Pagar os participantes viola a política da emissora.

A primeira temporada da série, de oito capítulos, iria estrear no início de janeiro. Após o anúncio, muitos criticaram a A&E por considerar que um programa desse tipo proporcionaria uma visão de “normalidade” sobre o grupo racista.

Segundo a emissora, a finalidade do programa era apresentar um olhar sério e próximo dos esforços de setores que fomentam a tolerância por “ajudar as pessoas a abandonar o Ku Klux Klan”, um grupo racista que historicamente fomentou o ódio e a violência contra os afro-americanos e outras minorias nos EUA.

“Tínhamos garantido ao público e aos parceiros fundamentais, como a Liga contra a Difamação, que não pagamos membros de grupos de ódio e achávamos que era assim quando fizemos”, disse a emissora.

Apesar de algumas redes de televisão aceitarem que as produtoras paguem os participantes de seus reality show, a A&E disse não permitir essa prática quando o programa tem personalidade de documentário.

A série, intitulada “Geração KKK”, mostrava de dentro do grupo a vida de quatro destacadas famílias do Klan. Um de seus membros tenta abandonar a organização racista e o programa mostra o papel de ativistas a favor da tolerância para ajudá-los.

Estreia inoportuna

De acordo com os críticos da série, a estreia em janeiro seria especialmente inoportuna depois das eleições de novembro, vencidas pelo republicano Donald Trump, que defendeu um discurso nacionalista, contrário à imigração e às minorias.

Após o pleito, foram vários os ataques de grupos neofascistas contra imigrantes, hispânicos, muçulmanos, negros e homossexuais, atribuídos pelas organizações sociais ao tom do discurso do presidente eleito durante a campanha.

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