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Economia Recordes na Bolsa brasileira não têm data para acabar, afirmam especialistas

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O fluxo de capital estrangeiro no Brasil tomou a B3 (a Bolsa de Valores brasileira) como uma avalanche no mês de janeiro. (Foto: B3/Divulgação)

O fluxo de capital estrangeiro no Brasil, que tomou a B3 (a Bolsa de Valores brasileira) como uma avalanche no mês de janeiro, não tem data para acabar e é reflexo de um ciclo global de enfraquecimento do dólar, que deve continuar beneficiando o País, segundo especialistas.

Considerando o comportamento da moeda ao longo das últimas décadas, a divisa dos EUA tem ondas de maior ou menor força que duram de seis a 12 anos.

“Nós tivemos um período de dólar forte entre 2011 e 2024, com pico entre 2022 e 2023. Foram quase 15 anos em que os investidores ganharam muito dinheiro nos Estados Unidos e as carteiras ficaram muito concentradas em ativos norte-americanos”, afirma Gina Baccelli, estrategista-sênior do Itaú.

O ciclo de valorização se amparou em múltiplos fatores. É o que os livros-texto dos economistas chamam de “excepcionalismo norte-americano”. Os EUA combinam crescimento econômico sólido com forte desempenho do mercado de ações e, principalmente, surfam no uso do dólar como moeda de reserva mundial. Além disso, os títulos do Tesouro, chamados de treasuries, são considerados um investimento praticamente livre de risco – o que atrai investidores globalmente quando as taxas de juros de lá sobem.

A decolada do dólar de 2020 em diante teve como acelerador a pandemia de coronavírus, que fez muitos investidores apostarem na divisa como porto seguro de investimentos. Depois, o Federal Reserve engatou em um ciclo acelerado de alta de juros, aumentando a atratividade do mercado norte-americano e mantendo o dólar em máximas históricas.

Mas, ao mesmo tempo em que esse movimento ocorria, outro seguia em paralelo. O início da guerra da Ucrânia em 2022 levou Washington a banir a Rússia do sistema Swift e a congelar reservas internacionais. “Esse movimento desencadeou um grande processo de diversificação de moedas globais. O exemplo da Rússia fez com que muitos bancos centrais buscassem outras reservas cambiais para não ficar refém do dólar”, diz Luis Ferreira, CIO (chefe de investimentos) do EFG Private Wealth Management.

Soma-se a isso a chegada de Donald Trump à Casa Branca para o segundo mandato e a instalação de políticas controversas, como o tarifaço e a ofensiva contra diferentes países, o que começou a desgastar a imagem institucional dos Estados Unidos e, por consequência, a credibilidade histórica do dólar.

Trump, porém, não foi necessariamente a causa para o início do atual ciclo de desvalorização do dólar. “Ele foi o catalisador”, diz Baccelli.

“Tivemos muitos anos de apreciação do dólar e a carteira dos investidores, inclusive brasileiros, estava muito concentrada no mercado norte-americano. Estar muito investido em um ativo só gera desconforto, e o desconforto faz com que o mercado procure diversificação. Trump acelerou o processo.”

Além disso, parte do mercado acredita que enfraquecer o dólar faz parte do plano de Trump. Quando a moeda está forte, as exportações dos Estados Unidos se tornam relativamente mais caras em comparação a bens e serviços estrangeiros, enquanto as importações para o país ficam mais baratas quando comparadas aos bens fabricados em solo americano.

Isso significa que o dólar forte tende a causar um aumento no déficit comercial, no qual o preço de exportar fica mais caro do que o de importar. “O déficit em transações correntes dos EUA em 2024 foi de nada menos que US$ 1,2 trilhão. Isso representa metade do PIB do Brasil só em déficit”, diz o economista André Perfeito.

“Contra isso apenas um dólar mais fraco. (Barack) Obama e (Joe) Biden tentaram isso via juros baixos e não funcionou. Sobrou para Trump fazer na porrada o que eles não conseguiram de maneira mais sutil.”

A diversificação para fora dos mercados norte-americanos não é, porém, uma fuga completa. O mercado ainda vê potencial de valorização nas ações do país, sobretudo as ligadas ao setor de tecnologia, e não estar alocado nos Estados Unidos não é uma estratégia recomendada.

Mas, agora, os investidores olham para os lados para buscar oportunidades antes ofuscadas pelo boom de inteligência artificial nas praças de Wall Street. “Começaram a se perguntar: quem é que tem yield (títulos públicos rentáveis)? Quem é que tem um mercado barato, com potencial para destravar valor? Quem tem menos endividamento, quem tem mais commodities? Quem não é um mercado de inteligência artificial, mas pode ser fornecedor da cadeia de valor via minerais críticos, via infraestrutura?”, diz Luis Ferreira, do EFG.

“A resposta para todas essas perguntas passa pelos mercados emergentes e, nessa linha, pelo Brasil, que tem Selic alta e valuations baratos.”

Isso também não significa que o Brasil é o único destino para os trilhões de dólares que estão em processo de realocação. O país representa apenas 4% do MSCI Emerging Markets, principal índice global de mercados emergentes cujas fatias majoritárias são Taiwan, China, Coreia do Sul e Índia. Mesmo assim, 4% dos trilhões de dólares em rotação são bilhões de reais entrando na Bolsa.

Ainda não se sabe se o movimento deve perder tração ou quando. A tendência de desvalorização do dólar e da consequente diversificação de carteiras é de longo prazo, diz o Itaú. Mas isso não significa que serão anos livres de solavancos.

O principal desafio, para o Brasil, é a eleição presidencial de outubro. Agentes do mercado têm dito que, mais do que o nome que será eleito, o que importa é como será a condução fiscal do governo de 2027 em diante.

“Por bem ou por mal, a eleição vai entrar na pauta. O investidor estrangeiro vai olhar para isso, mas não acredito que será o maior determinante para que o fluxo continue. Fundos emergentes são pequenos perto dos globais, que, acredito, devem ter movido só 2% do dinheiro grosso. E o Brasil é só 4% do MSCI. O resultado pode ou não afetar, mas não é isso que está acontecendo nesse primeiro trimestre”, diz Baccelli. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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