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Brasil Entenda por que a redação do Enem que ferir os direitos humanos não pode tirar nem nota zero nem nota mil

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Até o ano passado, o desrespeito aos direitos humanos era motivo de nota zero em qualquer trecho. (Foto: Suami Dias/ GOVBA)

Candidatos que farão Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no próximo dia 5 e planejam tentar uma nota mil na prova de redação precisam tomar cuidado com a decisão judicial da última quarta-feira, que proibiu a nota zero automática para redações com teor desrespeitoso aos direitos humanos. Apesar de o julgamento do Tribunal Regional Federal da 1ª Região ter decidido suspender essa parte específica do edital, ele não mexeu nas regras que definem as cinco competências exigidas na redação. A competência 5, portanto, segue igual, e diz que o estudante deve “elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos”.

Cada uma das cinco competências será avaliada com nota de zero a 200 pontos, fazendo com que a pontuação máxima possível na prova de redação seja mil. Até o ano passado, o desrespeito aos direitos humanos era motivo de nota zero em qualquer trecho da redação. Agora, segundo a nova decisão judicial, a exigência explícita de respeito aos direitos humanos fica restrita à proposta de intervenção. Isso quer dizer que, se a prova de redação tiver uma proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos, a nota máxima possível seria de 800 pontos.

Porém, a professora Maria Aparecida Custódio, que dá aulas de redação no Curso e Colégio Objetivo, em São Paulo, ressalta que os descontos podem ser ainda maiores, já que outra competência, a 3, avalia a coerência do texto.
Veja abaixo:
Competência 1 – Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.
Competência 2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
Competência 3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
Competência 5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Do modo como as cinco competências estão dispostas, a professoa afirma que os corretores podem considerar incoerentes tanto uma redação que desrespeite os direitos humanos em outros trechos da redação, mas apresente uma proposta de redação que cumpra o exigido na competência 5, quanto uma redação que respeite os direitos humanos durante todo o texto, menos na proposta de intervenção.

A professora lembrou ainda que a prova de redação do Enem nunca foi semelhante à dos vestibulares tradicionais. Apesar de exigir que o estudante demonstre o domínio da escrita formal em língua portuguesa, compreensão do tema da redação e conhecimento da estrutura do texto dissertativo-argumentativo, como as demais provas já consagradas de outros vestibulares, como o da Fuvest, o diferencial do Enem está na exigência da proposta de intervenção.

“O Enem é completamente diferente, ele começou assim e se manteve”, diz ela. “As outras competências todas são as mesmas cobradas nos vestibulares. Você tem que apresentar uma tese, apresentar argumentos, que podem ser variados, para defender essa tese, e mostrar uma conclusão.” Segundo Maria Aparecida, essa conclusão, nas outras provas, pode ser traçar uma perspectiva, fazendo uma previsão ou um alerta, por exemplo. Mas não no Enem.

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