A votação da proposta de redução da jornada de trabalho, que deverá voltar à pauta do Congresso após o período eleitoral, recoloca em debate um tema relevante: a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos trabalhadores.
Melhorar as condições de trabalho é necessário, mas mudanças estruturais dessa dimensão precisam considerar as diferentes realidades produtivas e ser construídas com responsabilidade, diálogo e visão de longo prazo.
Propostas como a redução da jornada devem ser discutidas nos instrumentos mais adequados, como em convenções e acordos coletivos. É nesse ambiente que trabalhadores e empresas podem avaliar as particularidades de cada atividade e construir soluções que conciliem proteção, produtividade e sustentabilidade.
Na construção civil, essa necessidade é ainda mais evidente. Uma obra envolve um ciclo longo de produção e investimento, que pode chegar a quatro ou cinco anos entre planejamento, aprovação, execução e entrega.
O trabalho se desenvolve por etapas, com cronogramas e contratos que exigem previsibilidade. Mudanças na jornada precisam considerar essa dinâmica para evitar impactos sobre a execução dos empreendimentos, os custos e a geração de empregos.
Também é preciso avaliar os efeitos sobre a renda dos trabalhadores. Embora mais tempo para a família e o descanso seja desejável, uma redução generalizada da jornada pode, em algumas situações, levar trabalhadores a buscar outras fontes de renda, inclusive na informalidade, para manter o equilíbrio entre despesas e receitas.
O caminho está em fortalecer a negociação coletiva, permitindo que cada setor encontre alternativas adequadas à sua realidade.
Melhorar as condições de trabalho, preservar empregos, estimular investimentos e garantir a sustentabilidade das empresas não são objetivos incompatíveis. São partes de uma mesma equação, que precisa ser construída com responsabilidade, diálogo e respeito às diferentes realidades econômicas.
*Por Rafael Garcia, presidente do Sinduscon-RS
(Foto: Divulgação)
