Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de outubro de 2026
A discussão ocorre em meio à pressão sobre os preços domésticos, sobretudo do diesel.
Foto: ABrA reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá abrir espaço para uma reorganização gradual dos preços dos combustíveis praticados pela Petrobras, segundo avaliação da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). A entidade considera que os valores cobrados pela estatal estão defasados em relação às cotações internacionais, principalmente no caso do diesel, mas avalia que um reajuste concentrado em uma única etapa teria impacto significativo para os consumidores.
O presidente da Abicom, Sergio Araújo, afirmou que a política de preços do setor precisará ser reorganizada depois do período eleitoral. Na avaliação dele, a combinação de subsídios, desonerações tributárias e preços abaixo das referências externas tornou o sistema pouco equilibrado. A expectativa é de que eventuais correções ocorram de forma progressiva, para reduzir os efeitos sobre o mercado e os consumidores.
“O sistema de preços de combustíveis está muito desarrumado. Os preços da Petrobras estão muito defasados. Existem diversas camadas de subsídio para o diesel e a gasolina está desonerada, o que é explicado pelo momento eleitoral que se estava. Passado esse momento, vão ter que arrumar a casa, mas terá que ser de maneira lenta e gradual”, afirmou Araújo.
A discussão ocorre em meio à pressão sobre os preços domésticos, sobretudo do diesel. Na semana anterior, a diferença entre o valor praticado pela Petrobras e a referência internacional chegou a R$ 3,53 por litro, segundo levantamento citado pela entidade. O número superou a subvenção de R$ 3,52 por litro destinada ao combustível, evidenciando o custo das medidas adotadas para reduzir o preço final.
A defasagem é acompanhada por importadores porque pode tornar menos atraente a entrada de combustíveis comprados no exterior. Quando o preço interno fica abaixo da paridade internacional, a importação perde competitividade, o que pode afetar a oferta e a dinâmica de abastecimento, especialmente em períodos de demanda elevada.
A eventual correção, no entanto, não depende apenas da Petrobras. O governo também precisa avaliar a arrecadação de impostos sobre o setor, incluindo royalties, participações especiais e tributos relacionados à exportação, além do custo das subvenções. Segundo Araújo, esse balanço permitiria reorganizar os incentivos e definir como os preços poderão se aproximar das referências de mercado.
A gasolina também está no centro da discussão. A desoneração tributária aplicada ao combustível reduz a carga de impostos, mas representa uma decisão com efeitos sobre a arrecadação pública. A revisão desse quadro pode integrar o debate sobre a política de preços e o equilíbrio fiscal, embora não signifique necessariamente uma mudança imediata nas bombas.
O tema ganhou relevância porque o preço dos combustíveis afeta diretamente o custo do transporte de cargas, da produção agrícola e de diversos serviços. Uma elevação do diesel pode ser repassada ao frete e, posteriormente, influenciar os preços de mercadorias. Já a gasolina tem impacto direto no orçamento dos motoristas e pode pressionar os índices de inflação.
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